Destaque:

Opinião do Presidente
"O imbróglio está criado"
- Francisco Antonio Feijó

Capa
- Odontologia – Profissão Confiável

Espaço CNPL
- Formação Sindical em Florianópolis: Capacitação para enfrentar os novos desafios

- Sul e Sudeste concentram 74% dos profissionais da área médica

Notícias Oficiais
- Governo implantará escolas técnicas em sete estados e no Distrito Federal

- Presidente do Banco Central apresenta balanço do primeiro semestre

- Seguridade aprova oferta da vacina contra o HPV no SUS

Opinião
O imbróglio está criado
- Francisco Antonio Feijó

Dica de Livro
Que País É Este?
- Millôr Fernandes

De 30 de outubro a 05 de novembro de 2007 – Ano II – Edição 112

Entrevista

Odontologia – Profissão Confiável

  Fernando Gueiros - Presidente da Federação
  Nacional dos Odontologistas

Recentemente, a revista Seleções publicou os resultados de uma pesquisa que aponta os odontologistas em segundo lugar no ranking de confiabilidade entre os profissionais brasileiros, perdendo apenas para os bombeiros. Por ocasião do dia do odontologista, 25 de outubro, data instituída devido à criação dos primeiros cursos de Odontologia no País, em 1884, o presidente da Federação Nacional dos Odontologistas e vice-presidente da CNPL, Fernando Gueiros, concedeu uma entrevista ao Informativo da CNPL comentando os principais aspectos dessa tradicional profissão, onde aborda a questão dos investimentos públicos em saúde bucal, as condições de trabalho do odontologista, a importância da sindicalização da classe e os impactos da emenda do projeto de lei 1990/07 do Executivo que tramita no Congresso Nacional, prevendo a não obrigatoriedade da contribuição sindical.

O senhor acredita que os atuais investimentos públicos podem melhorar o acesso à saúde bucal pela população mais necessitada?

O governo tem feito investimentos neste sentido, um exemplo é a implantação do “Programa Brasil Sorridente”, que criou os Centros Especializados Odontológicos – CEO’s, destinados a realizar atendimentos mais especializados como cirurgias, tratamentos de canal, gengiva, câncer bucal e outros, para a população mais carente, pois antes era feito apenas o atendimento básico e com pouca estrutura. A iniciativa é uma antiga reivindicação da Confederação Nacional dos Odontologistas, que sempre se preocupou com a necessidade de se oferecer um serviço mais especializado para a população de baixa renda. Outra ação decorrente do “Brasil Sorridente” foi o aumento do número de odontologistas no Programa de Saúde na Família – PSF, que se constitui na atuação de equipes de profissionais da Saúde no atendimento às famílias carentes em seus próprios lares. No começo do programa, havia um dentista para cada 3 médicos, hoje, existe um dentista para cada médico nas equipes. O problema é que a defasagem nessa área é muito grande, então vai demorar um tempo para termos o atendimento ideal.

Com relação às condições de trabalho dos odontologistas do setor público, está havendo melhorias?

O PSF aumentou o número de vagas de profissionais da área no setor público, mas em contrapartida, o governo não oferece nenhum tipo de benefício trabalhista e social para estes profissionais, porque eles são tratados como funcionários terceirizados pelo Estado. Esta postura do governo é contraditória porque quando nós profissionais precisamos contratar um funcionário para trabalhar em nossas clínicas, somos obrigados, pelo Estado, a arcar além do salário, com o valor de férias remuneradas, décimo terceiro e uma série de encargos trabalhistas que têm um alto custo, mas quando somos contratados pelo governo, não usufruímos de nenhum benefício.

Além disso, existe uma séria disparidade entre os profissionais que atendem pelo Sistema Único de Saúde: os que são contratados pelo governo federal recebem um valor, os agentes do estado recebem menos e os do município recebem menos ainda. Isso para realizar o mesmo trabalho, com a mesma carga horária, as mesmas condições e atendimento ao mesmo tipo de paciente. Com isso, os profissionais menos remunerados acabam ficando desestimulados. Então, hoje existe o Sistema Único de Saúde, mas não existe o “Sistema Único de Salário”, é o SUS X o SUS.

Está tramitando no Congresso, projeto de lei 1990/07 do Executivo referente à partilha das contribuições  sindicais com as Centrais,  onde consta emenda prevendo a não obrigatoriedade da contribuição sindical, o que o senhor pensa sobre isso?

É preciso valorizar a atividade dos sindicatos, federações e confederações na defesa dos interesses dos trabalhadores e, caso esse projeto de lei seja aprovado, poucas entidades sobrevirão, pois elas dependem basicamente da contribuição sindical. De acordo com o governo, a proposta não é extinguir, mas tornar a contribuição sindical optativa. Mas, com a alta carga tributária atualmente já imposta aos profissionais, tornar um imposto optativo é o mesmo que extinguí-lo. A questão é que, com o enfraquecimento dos sindicatos e o ritmo frenético de trabalho a que está submetido o profissional, quem se ocuparia de fazer a sua representação, de se atentar às leis que lhe diz respeito, e de se preocupar com  melhores condições de trabalho?

Outra questão importante é a necessidade dos sindicatos buscarem se inovar e encontrar alternativas para se sustentar. Eu acredito que a função dos sindicatos é representar, defender, mas também capacitar e aprimorar os profissionais. Por isso, há mais de 10 anos tenho investido em profissionalização na área odontológica e hoje, já temos no Sindicato de Pernambuco uma escola reconhecida pelo Ministério da Educação e Cultura – MEC. Muitos sindicatos já têm percebido essa demanda e feito o mesmo. Com o expressivo aumento de cursos superiores de baixa qualidade que surgem todos os dias, muitos profissionais entram no mercado de trabalho sem o mínimo de preparo e as entidades sindicais devem se preocupar com a formação e qualificação desses jovens profissionais também. Além de atender  a essa necessidade do mercado, o oferecimento de cursos pelos sindicatos acaba se tornando uma alternativa de financiamento das entidades.

Na sua opinião, a que se deve a credibilidade do odontologista,  considerado o segundo profissional mais confiável do País?

Fico feliz com isso. Na minha opinião, o profissional de Odontologia não pode só atuar com a técnica, mas deve usar da sensibilidade, afinal ele trabalha diretamente com a vida, com a saúde e a auto-estima das pessoas, desde a infância até a terceira idade. Por isso, é preciso uma postura menos técnica e mais humana. Pelo que o resultado da pesquisa indica, isso tem acontecido. Além do mais, é preciso lembrar que não basta o cuidado e a sensibilidade para tratar das pessoas, para ser um bom profissional é essencial a capacitação, a profissionalização e a responsabilidade para se evitar os erros tão prejudiciais aos pacientes.

________________________
DE LEÓN COMUNICAÇÕES
Redação
Camila Fróis: camila@deleon.com.br
Elizabeth Brandão: elizabeth@deleon.com.br
Rita Martins: rita@deleon.com.br
Jornalista responsável
Lenilde De León: lenilde@deleon.com.br
Tel: 11 5017-4090 / 5017-7604

Proibida reprodução sem prévia autorização — De León Comunicações