De 24 a 30 de Outubro de 2006 - Ano II - Edição 60

Entrevista

Mercado Imobiliário em alta 

                                                             

Nos últimos anos, o mercado imobiliário brasileiro  vem apresentando grande desenvolvimento, principalmente, com a ampliação do crédito imobiliário. O setor é um dos que mais impulsiona a economia do País, pela capacidade de gerar empregos. O crescente aumento do setor  está relacionado à redução das taxas de juros,  ao microcrédito, voltado às classes de menor renda e ao crédito consignado em folha salarial. Agora, os bancos apontam com a possibilidade de investir no financiamento de imóveis a longo prazo. Para falar sobre a ampliação do mercado imobiliário e as perspectivas para 2007, a equipe jornalística do Boletim Informativo CNPL, ouviu o primeiro vice-presidente da CNPL, Carlos Alberto Schimitt de Azevedo. Seguem os principais trechos da entrevista.

 

Quais as perspectivas para o mercado imobiliário em 2007?
Carlos Alberto Schmitt de  Azevedo – As perspectivas são boas, independentemente de quem seja o próximo presidente da República, pois percebemos que a política econômica de ambos os candidatos é parecida. Havendo continuidade na atual política econômica, esperamos um crescimento do mercado imobiliário em torno de 9%.
Temos essa esperança, pois o volume de financiamento aumentou substancialmente no decorrer dos anos. Em 2003, a Caixa Econômica Federal aplicou, no setor de financiamentos, R$ 2 bilhões. Em 2006, o montante deve chegar a R$ 10 bilhões.  Além disto, o setor privado começou a investir pesado nos financiamentos imobiliários. Tudo em função da estabilidade econômica e da tranqüilidade no setor.

 

O que é necessário fazer para melhorar o financiamento de um modo geral?

Azevedo – A Taxa Selic precisa ser reduzida. Há um ano, girava em torno de 19,75% e, atualmente, está em 14,25%. Com essa redução de 5% já foi possível o Conselho Monetário Nacional modificar algumas regras de financiamento. Antes, o financiamento imobiliário era praticado ao redor de 12% mais Taxa Referencial (TR), hoje, os 12% são sem a TR. Se a Selic reduzir os juros nos financiamentos habitacionais, as parcelas podem chegar a um valor 25% menor que o atual. Outra luta da nossa categoria é alongar os prazos de financiamento: hoje, o limite é de 20 anos, e pleiteamos um prazo de 30 anos, pois aumentando o tempo determinado mais pessoas terão acesso à casa própria. 

            Se conjulgarmos todos os fatores, como:  continuidade do aumento de financiamento, continuidade da redução da Selic, conseqüente redução das taxas de juros dos financiamentos habitacionais e o alongamento dos prazos dos financiamentos certamente teremos  mais crescimento. Dessa forma, em 12 anos o déficit habitacional poderá ser zerado.

 

Qual sua avaliação sobre o  mercado imobiliário em 2006?

Azevedo – O mercado imobiliário mudou muito neste ano, tanto que os financiamentos deverão chegar a quase R$ 20 bilhões. Esse resultado equivale a pouco mais de 10% do que pagamos de juros na dívida externa. Agora, o Fundo de Investimento só vai mudar quando o governo entender que a produção imobiliária e saneamento são investimentos.

 

Como o senhor analisa a crescente demanda de imóveis para a classe média?

Azevedo – No momento em que é dado o financiamento, mais pessoas com baixa renda têm acesso à casa própria. Quanto maior for a possibilidade de financiamento, e quanto menores forem as taxas de juros, mais pessoas poderão realizar o sonho da casa própria. De 2004 para  2006, a Caixa triplicou o valor de financiamento, computando os recursos próprios (FGTS, PAR), que passou de R$ 3 bilhões para R$ 10 bilhões anuais. Só com isso houve uma procura muito maior de financiamento. Com a redução da Selic o mercado imobiliário terá uma procura maior. Levando em conta, ainda, que a indústria da construção civil é genuinamente Nacional, onde você busca o retorno do investimento mais rápido. É como diz o célebre ditado: “Se você quer saber se um País está crescendo, olhe para o seu canteiro de obras. Se for grande, está crescendo e se não, está atendendo a interesses de grupos setoriais”.

 

A Caixa Econômica Federal lançou recentemente, uma linha de financiamento habitacional voltada para a classe média. Qual a importância desse novo pacote?

 Azevedo – Quando o pacote entrar efetivamente em prática, não tenho dúvida que o mercado imobiliário irá melhorar. Entretanto, o sistema da Caixa Econômica Federal deveria ser um pouco mais rápido: assim que fosse anunciado o novo programa, liberar  em seguida,  os recursos e as opções para a população participar.

 

Qual melhor maneira para comprar um imóvel? No que o consumidor deve ficar atento?

Azevedo – O comprador precisa saber que é preciso ser assessorado por um profissional da área, pois o corretor de imóveis  está habilitado e qualificado para ajudar a resolver a questão. E sem dúvida nenhuma, ele tem a preocupação de analisar a situação do imóvel, se tem habite-se, registro, como está a saúde financeira da incorporadora, a saúde financeira do próprio imóvel, se existe algum ônus hipotecário. Se a residência for antiga, por exemplo,  saber se o dono  tem a documentação em ordem, para evitar  futuros problema  para o comprador e,  se certificar também se o lote não corre risco de desapropriação. São diversos detalhes e cuidados  que os corretores  podem orientar,   uma vez que estão profissionalmente preparados  para atender ao consumidor.

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Produção e Edição

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