
De 16 a 22 de Janeiro de 2007 - Ano II - Edição 72
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Entrevista
Medicina veterinária: o número de profissionais é maior que a demanda.
Quais as maiores dificuldades que um médico veterinário encontra na profissão? Dr. Régis Patitucci — Há 20 anos, existiam três faculdades no Estado de São Paulo e, atualmente, esse número saltou para cerca de 40. Nos grandes centros, a demanda por profissionais tem sido menor que o número de médicos atuantes. Em contrapartida, há poucos profissionais em áreas de menor densidade populacional. Estatísticas apontam que em Moema (Zona Sul de São Paulo), existem cerca de 70 clínicas veterinárias. Essa aglomeração acaba sendo prejudicial, pois muitos oferecem serviços de baixa qualidade a preços reduzidos, provocando uma concorrência desleal.
Como o senhor analisa a atual formação dos alunos recentemente graduados? Patitucci — Muitas faculdades formam profissionais de forma limitado. Ao meu ver, as instituições de ensino devem ser mais rigorosas na seleção dos alunos e também sou a favor de um exame de classe. Da mesma maneira como acontece, com os advogados, ou seja, processo seletivo, para liberar a atuação do profissional no mercado de trabalho. Esse processo já existiu na área veterinária, mas foi suspenso. Este recurso pode evitar os maus profissionais.
Qual seu conselho para os estudantes ou profissionais recém-formados? Patitucci — A melhor opção para a pessoa que está se formando é procurar uma clínica reconhecida para estagiar e, dessa maneira, adquirir conhecimentos práticos. Se o recém-formado resolver abrir sua própria clinica, deve -se levar em conta o custo-benefício e verificar se está disposto a arcar com todas as despesas e problemas que acontecem diariamente . É importante também para os jovens profissionais passarem por todas as áreas da veterinária para conhecer um pouco de tudo e depois escolher o que melhor tem aptidão. Algumas vezes, o estudante pensa em trabalhar em determinada área e, ao conhecer outra opção apaixona-se e segue este caminho. Por isso a importância de estagiar em áreas diversas. Para os profissionais que já se encontram atuando, uma ótima maneira de se reciclar é através dos cursos específicos e congressos e também buscar informações de outras áreas que a veterinária vem se especializando, como: oftalmologia, ortopedia, cardiologia, entre outras.
Qual sua opinião sobre o crescimento do mercado de animais de estimação? Patitucci — Existem dois tipos de criadores: os que possuem animais promovem o cruzamento e vendem seus filhotes; e os que praticam o comércio de filhotes. No segundo caso, o crescimento é sem controle genético, pois os cruzamentos são feitos irregularmente e acarretam o aumento de doenças. Quem adquiri um animal por meio de criadores ilegais, pode comprar um grande problema futuro, pois acabam por misturar as raças, vendendo como se fosse um animal da raça predominante. |
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