De 10 a 16 de abril de 2007 – Ano II – Edição 83

Entrevista

 

Conselho Federal de Administração agrega mais de 250 mil profissionais

 

           
 

O presidente do Conselho Federal de Administração – CFA, Roberto Carvalho Cardoso que assumiu recentemente a Entiddade informou que dentre suas metas para os próximos anos, tem como prioridade  intensificar a fiscalização do exercício profissional  e assegurar a qualidade do ensino nos cursos de graduação. O CFA é considerado um dos maiores Conselhos de profissionais do País, agregando mais de 250 mil profissionais, 600 mil alunos e duas mil faculdades com curso de graduação.  Conheça melhor as idéias do novo presidente na entrevista que segue.


Foto: CFA.
 

Quais são seus principais projetos à frente do CFA?

Os projetos que já estão sendo adotados pelo CFA, e que prosseguirão pelos próximos anos da atual gestão, dão prioridade a uma maior proximidade com o mercado de trabalho, além de intensificar a fiscalização e assegurar a qualidade do ensino nos cursos de graduação e gerar empregos. Essas são, sem dúvida, as nossas grandes preocupações.

 

Quais os problemas que hoje afetam diretamente os administradores?

São justamente as reduzidas ofertas de vagas para os profissionais de Administração e outras profissões, e a qualidade de ensino, que pode ser melhorada. Há excelentes cursos disponíveis, mas a carreira tem tido uma procura enorme nos últimos anos e hoje é disparada a mais requisitada, com aproximadamente 600 mil alunos matriculados. A qualidade do ensino é muito diferente entre as instituições e precisamos melhorar a média.

 

Como atacar ou resolver essas questões?

Para melhorar os índices de empregabilidade vamos firmar parcerias com segmentos empresariais. Uma fiscalização eficaz, inclusive dos concursos públicos, assim como um ensino de qualidade, são primordiais para alcançar esses índices de empregabilidade que buscamos.

 

Os profissionais brasileiros estão devidamente capacitados para enfrentar a globalização, que obriga as empresas a exigir cada vez mais competência e ações pró-ativas de seus funcionários?

Certamente estão. Mas, como eu disse antes, a formação dos Administradores não é nivelada em todas as instituições. Algumas são realmente de alto padrão internacional, reconhecidas por colocar no mercado profissionais altamente qualificados e atualizados. Por outro lado, o profissional brasileiro possui excelente capacidade de adaptação e de resolver problemas inusitados.

 

Neste contexto, como o senhor vislumbra o futuro de sua profissão?

Sem dúvida o futuro é promissor. A carreira tem cada vez mais importância nas empresas e órgãos públicos. Por exemplo, a empresa familiar cada vez mais reconhece a necessidade de profissionalizar seus quadros especializados para tocar seus negócios. O setor público também está preocupado com uma gestão profissional, e encontra nos profissionais de Administração a melhor opção para organizar a máquina estatal, nas instâncias federal, estaduais e municipais.

 

Como o senhor avalia a atuação dos profissionais liberais brasileiros nos dias de hoje?

Eles cumprem seus papéis, estão nos mesmos níveis quando os comparamos com os profissionais do resto do mundo.

 

É possível um relacionamento mais estreito entre CNPL/Conselhos, tendo como objetivo maior qualificação profissional e também melhor fiscalização do pagamento das contribuições sindicais?

Não só é possível como é altamente desejável que assim seja. O importante a ser considerado é que conselho, sindicato, confederações e associações, cada um tenha o seu papel perfeitamente definido. O importante é que cada um respeite o seu limite e se auxiliem mutuamente, porque somente com esse comportamento é que estaremos fortalecendo uma profissão.

 

Com uma carga tributária beirando os 40% do PIB, o senhor vê perspectivas de crescimento da economia, que traga um cenário melhor para os profissionais administradores?

A carga tributária excessiva realmente inibe investimentos. No entanto, o crescimento da economia não depende exclusivamente de uma redução de impostos. A desburocratização da máquina pública, por exemplo, representaria um grande avanço. Incentivos à educação, à formação profissional, além de investimentos em tecnologia também contribuem. Evidentemente que um crescimento tímido da economia afeta não somente os Administradores, mas todas as profissões.

 

Como os profissionais de administração poderiam contribuir com o poder público?

O emprego desses profissionais na Administração pública, sem interferências políticas, gera muitos benefícios. Ele resulta na aplicação correta dos recursos públicos e na redução dos desperdícios e da burocracia. Com um controle eficaz de gastos, também inibe a corrupção, aumenta a transparência e proporciona imparcialidade nas decisões. Por isso é importante o governo contar com profissionais capacitados, colaboradores e assessores competentes, comprometidos com um modelo impessoal e eficiente de gestão pública. Os Administradores se encaixam perfeitamente neste perfil.

 

Uma eficiente administração pública seria a solução para muitos problemas que o País enfrenta hoje? Por quê?

Sim, sem sombra de dúvida. Com o controle de gastos, com a impessoalidade de decisões e a correta aplicação de recursos públicos, ou seja, adotando um modelo profissional de Administração, o País terá condições concretas de promover a igualdade social, elevar os índices de educação e treinamento e de distribuição de renda.

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Produção e Edição

De León Comunicações