De 04 a 05 de junho de 2007 – Ano II – Edição 91

Entrevista

 

Sustentabilidade urbana alia tecnologia à preservação ambiental

 

 

Dia 05 de Junho é o dia internacional do meio ambiente. Junto com as comemorações surgem muitas discussões sobre como as empresas e os governos podem contribuir para a preservação do meio ambiente e amenizar o aquecimento global, por exemplo. Mas o que é preciso se pensar, também, é como cada profissional na sua área de atuação pode ter atitudes positivas e práticas na construção de alternativas para os atuais problemas. A arquiteta Raquel Blum é consultora do CREA-DF e coordenadora do Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade da Universidade de Brasília - UNB. Nessa entrevista, exclusiva para o informativo eletrônico da CNPL, ela  fala um pouco da sua experiência de execução de projetos relacionados à minimização de impactos ambientais e viabilização da sustentabilidade urbana.

 

 

Como é possível se aliar tecnologia à preservação ambiental?

O que é importante se entender no que se refere a sustentabilidade dentro de cadeias produtivas, como é, por exemplo, a cadeia produtiva da construção, é que nós temos que utilizar diferentes ferramentas, que vão fortalecer o sistema de aprendizado das empresas, dos agentes produtivos, para propiciar a absorção de tecnologias sustentáveis que minimizem os impactos ambientais e gerem sustentabilidade.

 

São vários os estágios a serem cumpridos para que essas tecnologias possam ser utilizadas adequadamente.   Um deles é a conscientização destes agentes no que se refere à responsabilidade social e ambiental. Essa é uma ferramenta importante porque a partir do momento que essa responsabilidade social e ambiental é consolidada dentro das organizações, elas aprendem a diagnosticar os impactos produzidos, para então minimizá-los.  Posteriormente são desenvolvidas metodologias e tecnologias que permitam a minimização dos impactos. Essas tecnologias precisam ser desenvolvidas de tal forma, que possam ser absorvidas gradativamente, porque, hoje, precisamos de um desenvolvimento consolidado.

 

Quais as dificuldades enfrentadas na implementação dessas tecnologias?

Não podemos correr o risco destes agentes - empresários, órgãos públicos, ongs, entre outros - absorverem tecnologias e depois abrirem mão delas - ou por serem caras ou inviáveis. Por isso, nós trabalhamos  fundamentados na teoria de inovação onde  é preciso fortalecer o sistema de aprendizado das empresas, dos agentes produtivos, ou dos agentes que estão dentro dessas cadeias produtivas para que eles possam, aos poucos, irem absorvendo tecnologias que minimizem seus impactos ambientais.

 

Muitas vezes, essas tecnologias são simples, bastam mudanças de comportamento e na forma de gestão. Outras vezes, elas são um pouco mais complexas, e podem envolver a aquisição de um maquinário, às vezes mais caro e com processos diferentes. Então, é por isso que eu digo a mudança tem que ser feita por estágios.

 

Cite  algum exemplo de setores que possam reaproveitar resíduos por meio da reciclagem? 

Hoje, temos um problema dentro da indústria de construção que é a geração de resíduos, como entulho.  Esse resíduo não pode continuar sendo  tratado como vem sendo feito pelos municípios e pelos agentes construtores, porque 80% desse resíduo pode ser reciclado e reutilizado como matéria-prima para outros processos produtivos. Mas isso ainda não acontece, ainda é uma realidade distante. Precisamos que os municípios e os agentes públicos também cumpram com seu papel de gestores responsáveis pelo meio ambiente.

 

Como os profissionais liberais podem estar se envolvendo com a questão da sustentabilidade urbana?
Acredito que os profissionais, em geral, têm que se envolver em construção de alternativas, em projetos e propostas inovadoras. Os engenheiros e arquitetos, por exemplo, são co-responsáveis nesse processo. A partir do momento em que eles são responsáveis por um projeto,  eles são responsáveis pela gestão dos resíduos, pela minimização dos impactos, pela definição de  tecnologias do sistema construtivo. No próprio processo de produção do projeto, o arquiteto e o engenheiro têm uma responsabilidade muito grande de buscar a solução para os possíveis problemas ambientais que este projeto vai gerar como poluição das águas do entorno, geração de resíduos não recicláveis, demanda de energia em excesso, entre outros.  Porque, no fundo, estas questões têm que ser previstas lá trás, no projeto, depois de pronto, fica mais difícil e caro resolver. Então estes profissionais têm que se capacitar e se sensibilizar para isso.

 Quais são os problemas mais graves ou urgentes que as grandes cidades ainda enfrentam?
A questão de saneamento básico é muito séria. O saneamento, como precisamos, de maneira adequada e ampla é urgente. A questão da geração de resíduos não recicláveis por parte da indústria também é fundamental porque o meio ambiente não agüenta mais.  Nós precisamos desenvolver, rapidamente, uma consciência  para incorporar tecnologias que permitam a economia de energia e que também desenvolva uma conscientização global, com relação ao consumo da água. Os recursos naturais precisam ser racionalizados.

E você acha que a sociedade civil, de uma forma geral, tem se envolvido nesse sentido?
Sem dúvidas, mas eu gostaria que esse processo fosse mais rápido. Por exemplo, eu falei da necessidade de conscientização dos arquitetos e engenheiros, mas todos têm essa responsabilidade de fazer opções que poupem o meio ambiente. Por exemplo, quando você escolhe um produto no supermercado, tem que procurar saber para onde vai aquela embalagem. Ao encomendar um projeto para um arquiteto ou em engenheiro, tem que questionar sobre os processos e métodos que serão utilizados; e  quando escolher um político, saber qual o envolvimento dele com o assunto, e assim por diante.

Quais as perspectivas que existem com relação a sustentabilidade das cidades?
Não podemos parar. O poder público tem se envolvido, acho que já existe uma consciência. Temos  instrumentos legais importantes. Mas sem dúvida faltam alguns instrumentos ou incentivos econômicos que podem auxiliar. Gostaria apenas  que o processo fosse mais acelerado, mas nós não estamos parados, só precisamos acelerar o passo.

Produção e Edição

De León Comunicações

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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