De 26 de junho 02 de julho de 2007
– Ano II – Edição 94
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Entrevista
Balanço Programa de Aceleração do Crescimento – PAC
Implantado desde o começo do ano, o Programa PAC tem, de acordo com o governo, o objetivo de estimular os investimentos em infra-estrutura, logística, energia, saneamento básico e habitação e garantir crescimento maior da economia. Além do investimento público em infra-estrutura, foram previstas uma série de medidas para incentivar o investimento privado como o alívio da carga tributária e a desburocratização. O economista e professor da Faculdade Getúlio Vargas – FGV, Rogério Sobreira dá um panorama sobre o tema após o balanço quadrimestral do programa.
Quais as principais promessas do PAC? Nos
quatro anos do segundo mandato de Lula, o PAC prevê uma montante em torno de
R$ 500 bilhões em investimentos públicos e privados. Além disso, o governo
divulga uma estimativa otimista para o crescimento do Produto Interno Bruto
- PIB de 4,5% neste ano e de 5% a partir de 2008. Por conta disso, prevê
ainda a queda da relação dívida/PIB do setor público para cerca de 40% em
2010, contra 50% em dezembro de 2006. O que o programa quer dizer realmente para a economia brasileira? O programa significa, na verdade, uma organização das ações e investimentos do governo. Em sua maioria, os investimentos divulgados já existiam, só foram adaptados dentro do programa. Mas essa organização é muito boa porque sinaliza para prazos reais e para a execução dos investimentos e tem potencial para gerar um desenvolvimento relevante e real para o país. O planejamento permite que o governo defina seus focos de investimento e a população, como um todo, perceba o direcionamento que a economia está tendo, onde o governo está investindo, os avanços e entraves que está tendo.
Quais os avanços e entraves do programa? De acordo com os dados
divulgados, 52,5% das obras estão adequadas e a área energética foi apontada
como a principal preocupação do governo por conta dos atrasos em boa parte
das iniciativas. A causa dos atrasos nessa área foi relegada à dificuldades
que algumas obras estão tendo em conseguir o licenciamento ambiental. Para
mim, o principal
entrave do programa é gerencial. Devido a sua dimensão, é preciso delegar
muitas responsabilidades, descentralizar, e isso dificulta o acompanhamento
dos prazos, dos licenciamentos e dos cumprimentos das metas. Apesar disso,
acho que a direção está certa, que o investimento em infra-estrutura é
essencial para subsidiar o crescimento do País. Além disso, ao reduzir a
meta do superávtil primário e permitir um aumento de 0,5% do PIB no total de
investimentos, o programa faz com que a grande maioria dos investimentos
novos sejam alavancados no seu montante financeiro. À medida que isso se
concretizar, pode gerar um aumento de empregos, que eleva o poder de consumo
da população e em ciclo gera mais crescimento.
O que efetivamente já se conquistou?
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