De
31 de julho a 06 de agosto de 2007 – Ano II – Edição 99
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Entrevista
O profissional de Nutrição e a busca por qualidade de vida
Sílvia Cozzolino,
presidente da
Sociedade
Para esta edição do Informativo CNPL, entrevistamos a presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição – SBAN, Sílvia Cozzolino. A nutricionista falou um pouco sobre a ciência da Nutrição, dando dicas de como bons hábitos alimentares trazem disposição e saúde.
Qual o papel do profissional de Nutrição na saúde e bem-estar das pessoas? Na área de pesquisa nutricional, tem se procurado novas ferramentas e metodologias para entender o comportamento do organismo frente ao meio ambiente, aos alimentos ingeridos e ao tipo de atividade física desenvolvida pelas pessoas. A idéia é tentar descobrir como utilizar os recursos da natureza para melhorar o desempenho do nosso organismo. As pesquisas estão evoluindo cada vez mais nesta direção, para que possamos aproveitar, ao máximo, os recursos de que dispomos para viver mais e melhor. A ciência da Nutrição está passando por mudanças muito rápidas e a cada dia aumenta o número de pessoas que dão importância a uma alimentação adequada.
Como o acompanhamento nutricional pode ajudar na prevenção de doenças como diabetes, anemia, hipertensão, entre outras? A atuação do nutricionista deveria ser principalmente no sentido de prevenir doenças decorrentes de maus hábitos alimentares. Mas, infelizmente isso não acontece porque muitas pessoas só buscam orientação profissional quando estão doentes. À medida que se cultive hábitos de vida saudáveis no cotidiano, o risco de ficar doente é bem menor.
Hoje existe um abuso na quantidade de agrotóxicos utilizados que podem se tornar prejudicial? Há muita desinformação por parte de quem aplica os agrotóxicos. A maior parte dos problemas de intoxicação ocorre por mau uso. Os agrotóxicos que estão no mercado devem ser controlados e utilizados na dosagem correta. O maior problema é a desinformação. Uma das alternativas é a utilização de produtos orgânicos, mas eles não dão conta de atender toda demanda e são acessíveis a poucas pessoas, principalmente pelo seu valor.
O nutricionista, na verdade, está mais voltado para análise do valor nutricional dos alimentos, do que para os aspectos de contaminação. Entretanto, o profissional deve agregar esse conhecimento, para poder orientar qual é a maneira adequada de utilização do produto, evitando assim, a contaminação.
Muitas pessoas procuram o nutricionista com a expectativa de perder peso rapidamente. Qual deve ser a postura do profissional? Indicar uma dieta saudável adequada para cada indivíduo em sua fase da vida, para que ele possa explorar ao máximo o seu potencial genético. O nutricionista não pode se preocupar somente com o emagrecimento, apesar de esta ser uma constante demanda nos consultórios. Atualmente o maior problema enfrentado pelos nutricionistas ao orientar as pessoas, não é a desnutrição e sim, a má nutrição. O profissional tem o papel preponderante para orientar qual a alimentação adequada. Hoje, a obesidade está se tornando epidêmica, não somente nos EUA - país com número maior de obesos -, mas também no Brasil.
Como evitar que os programas de perda de peso também gerem perda de saúde? Mesmo as pessoas bem informadas podem ser iludidas por promessas de ‘milagres’. Ouvimos e presenciamos muitas dietas totalmente desbalanceadas que ninguém sabe de onde surgiram. Nos regimes mais drásticos, perde-se peso em um curto intervalo de tempo, porque perde-se muita água e há ilusão de emagrecimento, mas depois que o organismo volta ao normal além de recuperar todo o líquido, a pessoa voltar a engordar mais. A dica é sempre procurar um profissional que indique uma dieta balanceada para perder peso.
A senhora acredita que é importante que os nutricionistas trabalhem em conjunto com os professores de atividades físicas? Com certeza. No campo acadêmico existe uma associação dos nutricionistas não só com os professores de atividades físicas, mas profissionais da Psicologia, Farmácia e Medicina. Todos têm interesse em trabalhar em conjunto, porque com essa troca de informações, conseguimos obter um bom resultado e a pessoa alcança a qualidade de vida esperada.
Na área de saúde existem muitas pesquisas contraditórias, relacionadas ao custo-benefício de determinados alimentos para a saúde. Por que tantas divergências?
Cada vez mais as metodologias e
técnicas de análise das pesquisas melhoram. À medida que se têm
aparelhos mais sofisticados e técnicas químicas, bioquímicas que medem
as substâncias em um nível bem menor, acaba-se tendo um conhecimento
mais apurado. O problema são as distorções. Por exemplo, o que está na moda em pesquisa nutricional são os alimentos funcionais, os minerais. As pessoas que consomem vegetais têm maior longevidade e qualidade de vida. Estes alimentos são compostos, em geral, por minerais, vitaminas e fibras. Mas só isso não é suficiente para determinar a saúde. Os pesquisadores ainda têm muito que evoluir nesta área.
Os produtos light/diet, que invadiram as prateleiras dos supermercados, são saudáveis? Isso é preocupante. Acredito que quando esses novos produtos com edulcorantes foram lançados, para substituir o açúcar, pensou-se em uma dose máxima que poderia ser consumida. O órgão internacional que regula a utilização de aditivos, contaminantes, corantes e outros produtos, o Codex Alimentarius, determinou uma quantidade máxima dessas substâncias por produto.
O problema é que, hoje, a explosão de produtos diets leva a um excesso de consumo cumulativo que pode ser prejudicial. Um outro aspecto a ser considerado é que nestes produtos à base de edulcorantes, o sabor doce é mais intenso do que nos produtos convencionais, com açúcar. Isso pode causar uma alteração no paladar, fazendo com que as pessoas busquem consumir mais doces.
Qual a melhor alternativa para saúde e o equilíbrio na alimentação? As pessoas deveriam diminuir a quantidade de açúcar que colocam nos produtos para adoçar e não somente substituir por produtos diets, criados para os diabéticos. No Brasil, os doces são muito doces, então, as indústrias deveriam, aos poucos, diminuir a quantidade de açúcar para a população ir se acostumando com o sabor. Simultaneamente, as pessoas deveriam substituir alguns tipos de gorduras por outros óleos monoinsaturados.
Precisamos consumir mais verduras e frutas. Ao fazer isso, temos uma quantidade maior de micronutrientes e fibras no organismo, o que gera a sensação de saciedade. Deve-se ainda substituir metade dos cereais convencionais por cereais integrais que têm mais nutrientes: vitaminas, lipídios, minerais, proteínas e fibras. Comer carne, com moderação, pois o alimento contém vitaminas, minerais e proteínas importantes. O leite, fonte de cálcio também não pode faltar na alimentação, exceto em caso de alergias. Esses hábitos, associados a atividades físicas regulares, trazem muitos benefícios. A nutricionista reafirma a
importância de consumo de alimentos à base de minerais e fibras mas
defende uma dieta diversificada
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