De 07 a 13 de agosto de 2007 – Ano II – Edição 100

Panorama
 

Mais que culpados, a sociedade  brasileira  espera soluções para a crise  aérea

 

A crise aérea nacional, que teve seu auge com o acidente do Airbus A320 da TAM, em São Paulo, está trazendo inúmeros prejuízos para o País, tanto nos aspectos econômicos quanto sociais. A impossibilidade de se contar com esse meio de transporte, tão essencial  à população, principalmente aos profissionais liberais, prejudica os negócios e o turismo, além de trazer muitos transtornos para os cidadãos em geral. A economista do Ipea, Lucia Helena Salgado, afirmou, em recente entrevista à grande imprensa,  que 70% da demanda do setor aéreo é de viagens de negócios, 25% turismo e os 5% restantes, pessoais. Daí a conclusão de que a economia perde dinamismo com a crise. Além disso, o caos aumenta o custo de seguros e afeta a exportação de vários produtos, sem contar o alto custo de mão-de-obra especializada perdida em função de  horas úteis despendidas em espera  por  profissionais  liberais como médicos, engenheiros, advogados, contadores e outros,  nos aeroportos de todo o Brasil. 

 

Insegurança dos  passageiros

 

A crise atinge a população como um todo. As vantagens do transporte aéreo sobre os outros tipos de transporte e a  redução relativa dos preços das passagens geraram um crescimento considerável da atividade e produziram uma demanda, que hoje explode nos saguões. São pessoas que necessitam se deslocar de forma rápida e prática para chegarem a reuniões, fecharem negócios, trabalharem, estudarem, atenderem clientes ou pacientes, visitarem parentes, entre outros.

 

Alguns, depois de perderem vários dias marcando e remarcando viagens nas companhias aéreas, vêem como alternativa pouco prática, mas segura, as viagens de ônibus. Desde o começo da crise, a procura por viagens nos terminais rodoviários, especialmente do Rio de Janeiro e São Paulo, tem crescido expressivamente. Nas últimas semanas a venda de passagens  na rodoviária do Rio de Janeiro, passou de 1,8 mil, para 4 mil. Em São Paulo, também tem sido necessária a alocação de um número extra de veículos.

 

Prejuízo para os profissionais liberais

 

Os profissionais liberais, maiores usuários do transporte aéreo no País,  que não podem despender tantas horas em  viagens de ônibus, começam   a buscar alternativas, como, por exemplo, fazer reuniões pela Internet. É o caso dos escritórios de advocacia, que têm filiais em outras cidades e por isso, os funcionários passaram a discutir processos e combinar estratégias por videoconferências. A ferramenta ameniza, mas nem sempre resolve a situação. Quando os advogados têm audiências em outras cidades, não têm como escaparem do transtorno nos aeroportos. Muitos médicos atendem em cidades diferentes e tiveram que abandonar seus pacientes porque a dificuldade e o custo das viagens não compensam. Além disso, muitos contratos e acordos comerciais não podem ser fechados pela Internet e com isso, vários negócios deixam de acontecer pela impossibilidade de deslocamento dos empresários.

 

Queda no Turismo

 

Se, quem depende do transporte aéreo para trabalhar tem que, inevitavelmente, enfrentar o medo e a insegurança, os que utilizavam esse transporte para fazer turismo estão pensando duas vezes antes de viajar. Desde o começo da crise, houve, de acordo com a Associação Brasileira de Agências de Viagens – Abav, uma queda de 25% na procura por pacotes turísticos no País. Mesmo com as novas medidas apresentadas pelo governo para tentar controlar a situação nos aeroportos, a Associação teme que não haja melhora no cenário até o fim do ano. Isso significa redução de empregos diretos e indiretos na área, além da frustração de famílias que acabam preferindo adiar as férias ou buscar outras alternativas de distração.

 

Reajuste passagens aéreas


Diante da incapacidade de atender aos passageiros e do enorme prejuízo que têm tido com o caos instaurado, as companhias aéreas começam a anunciar um possível aumento nos preços das passagens. O atual ministro da Defesa, Nelson Jobim, não quis se pronunciar sobre o assunto, mas setores do governo admitem que a medida pode ser inevitável até para conter o tráfego aéreo no País.

 

Perspectivas

 

O ministro Nelson Jobim prometeu que vai examinar a competência da Agência Nacional de Aviação Civil e avaliar se este modelo funciona, garantindo que  não terá medo de alterá-lo. Disse também, que deve buscar um entendimento com a Eletrobrás quanto às estruturas de abastecimento e integração técnica do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo de Manaus - Cindacta 4, que teve uma pane no dia 21 de julho, impedindo o tráfego de vôos no eixo Brasil - Estados Unidos. Além disso, houve promessas vagas de investimentos, de construção de um novo aeroporto em São Paulo e  outras propostas  inconsistentes. A sociedade  brasileira continua esperando, assim, mais que culpados, soluções para a crise.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                             

 

 

 

 

 

 

 

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