De 11 a 17 de setembro de 2007 – Ano II – Edição 105

Tecnologia e Meio Ambiente

Conselho Brasileiro de Construção Sustentável
Especialistas apontam alternativas ecológicas para a construção civil

"Construir prédios econômicos do ponto de vista ambiental, edificações que utilizem água de forma racional, empreguem materiais ecologicamente corretos e minimizem a quantidade de resíduos lançados na natureza é mais do que uma  necessidade nos dias de hoje. É um urgente desafio frente ao delicado quadro ambiental que o mundo enfrenta", argumenta Marcelo Takaoka, presidente do  Conselho Brasileiro de Construção Sustentável - CBCS, instituído em agosto último.

O CBCS é uma associação civil formada por empresários do Terceiro Setor e profissionais da área de Construção Civil, tendo como  proposta formar redes de parceiros, pesquisar alternativas e tecnologias para orientar engenheiros, arquitetos, projetistas e técnicos no caminho da sustentabilidade e racionalidade ambiental. Entre as ações do Conselho estão a elaboração de diretrizes, proposição de políticas públicas e setoriais  para soluções integradas. Para isso, a entidade já montou suas agendas ambiental, social e econômica que prevêem a capacitação de profissionais, organização de eventos e disseminação de informações referentes à sustentabilidade. 

O setor da construção civil é tradicionalmente conhecido como um dos grandes responsáveis pelos impactos ambientais no Brasil. Segundo
Marcelo Takaoka, estes impactos começam pela grande quantidade de recursos naturais e energia utilizadas na produção e transporte de matérias primas para  a construção. “Mas o problema está principalmente na concepção dos projetos que, em geral, privilegiam aspectos puramente ligados à estética e ao conforto, o que  se reflete na má escolha de materiais e geração de grande volume de resíduos que não têm onde serem lançados", afirma o presidente do CBCS.

Ambientalistas apontam que a sustentabilidade ambiental no Brasil, não depende somente da preservação das florestas e matas. Isso porque a economia do País é urbana e a maioria da população vive em cidades, altamente atingidas pelos impactos da construção civil. Desta forma, as práticas atuais de produção adotadas pela cadeia produtiva da construção civil têm importantes impactos não apenas no desempenho econômico do País, mas também na biodiversidade, desenvolvimento social e na qualidade de vida da população. Neste sentido, a criação de entidades como o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável pode ser uma importante estratégia para que este impacto ambiental da construção civil possa ser minimizado.

De acordo com o conselheiro do CBCS e diretor do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi, atualmente, a sociedade está sensibilizada com relação aos problemas ambientais e já há conhecimento suficiente para iniciar uma mudança de paradigma, pois diversas organizações, empresas, ONGs, setores do poder público, escolas, universidades e empreendedores têm se empenhado na busca de soluções ambientais. Para ele, o grande desafio do Conselho agora é colocar esse conhecimento à disposição e de fácil acesso, para empresários e clientes do setor de construção civil.

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