
De 18 a 24 de setembro de 2007 – Ano II – Edição 106
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Artigo
Do gravador analógico ao sofisticado digital
Imaginem se o Cacique Juruna tivesse divulgado tudo o que gravou? Será que na década de 80 em que foi deputado federal, fatos como os que agora vêm a público em gravações audíveis e claras, também aconteciam? Ou será que tudo o que agora se lê, ouve ou vê, são fatos hodiernos resultantes da evolução tecnológica ou de outras origens antigamente inexistentes? Mudou o que? O modelo do gravador do Cacique Juruna? A vontade de apurar, ou o volume crescente de fatos ocorridos de lá para cá, que chegou a um ponto tal que como geralmente se diz, ultrapassou os limites? A “casa caiu” por excesso de peso das pessoas envolvidas ou das moedas acumuladas. Os fatos estão sendo apurados, a Justiça está para julgar, não nos cabe discutir se são verídicos ou não, pois desconhecemos as provas e os envolvimentos. Entretanto, temos a obrigação e o dever de acompanhar, de saber o que aconteceu e acontece, e ver o perfil dos envolvidos. Que coisa incrível! Sem adentrar ao mérito, quantos fatos vieram à baila nos últimos meses, quantos acontecimentos nesta República que nós, míseros mortais, trabalhadores, somos obrigados a ver e sentir na carne. Porque se verdadeiramente ocorreram desvios, nosso rico dinheirinho, arrecadado de impostos que oneraram nossos ganhos (não lucros), foi pelo ralo ou garantiu ou ainda garante uma série de vantagens e benesses a um número privilegiado de pessoas, que ainda consegue dormir e quem sabe roncar, por apnéia ou desvio de septo, sonhando com carneirinhos ou outros bichinhos que passaram por cima das porteiras e das cercas que deveriam ser de arame farpado e na realidade eram virtuais e se transformaram em números, simples indicativos de nomes ou números de contas bancárias. Acho que o Cacique Juruna, talvez dentro de sua ingenuidade e sensibilidade indígena, não conseguiria entender, mesmo gravando, o que realmente aconteceu com as diversas situações divulgadas pela imprensa nos últimos meses, sobre os desmandos ou a desfaçatez de alguns envolvidos, que tentam, utilizando frases de efeito, mudar a interpretação de fatos que, para nós profissionais liberais, é clara. Quem pretende enganar quem? Enfim, vamos aguardar a conclusão dos fatos e lutar para que o avanço tecnológico, a exemplo do que aconteceu com o gravador do Cacique Juruna, nos garanta gravações cada vez mais audíveis, para que aqueles que “chiam“, desapareçam e as coisas fiquem mais claras e nosso rico dinheirinho não suma tão fácil. Francisco Antonio Feijó - Presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais - CNPL |
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