Um projeto de país

* Paulo Skaf

A evolução do PIB brasileiro tem sido pífia, em especial quando analisada à luz de recente estudo do FMI sobre as projeções internacionais para o biênio 2005/2006. As estimativas de crescimento da Nação no presente exercício, seguindo-se ao irrisório avanço de apenas 2,3% em 2005, superior apenas ao do Haiti em todo o Continente, continua muito abaixo da média mundial, dos emergentes e dos irmãos latino-americanos. A ausência de algumas lições de casa cruciais e a postergação de outras criam um círculo vicioso no qual a economia do País vivencia desgastada rotina, como se apenas o controle da inflação fosse suficiente para solucionar todos os problemas.

Os distintos setores de atividade são atingidos, ressentindo-se de uma política econômica mais arejada, criativa e capaz de conciliar responsabilidade fiscal, controle inflacionário e crescimento. A dívida pública, alimentada pela imprudência fiscal, complementa o teatro de operações no qual lutam as empresas brasileiras no embate da globalização. É desnecessário detalhar os obstáculos que emperraram a prosperidade socioeconômica e transformam empresários em heróis. Conhecemos a realidade. Temos, com urgência, de encontrar alternativas para transformá-la. As entidades de classe, dentre elas a Fiesp, e as mentes mais lúcidas do Brasil têm apontado caminhos viáveis. Por que não segui-los?

O baixo crescimento do PIB tem perigosa congruência com estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). A síntese do trabalho, que enfoca a previdência, contém o seguinte alerta: “As nações industrializadas enriqueceram antes de envelhecer; os países emergentes estão envelhecendo antes de enriquecer”. Este é o nosso caso. Para enriquecer, na acepção da abordagem do BID, o Brasil precisa de um programa estrutural de desenvolvimento, um verdadeiro projeto viável de país! Neste sentido, deve cumprir agenda orientada pelo bom senso e uma visão mais real dos problemas e potencialidades. A primeira tarefa é a redução drástica dos gastos públicos. Estudo da Fiesp, já encaminhado às autoridades competentes, demonstra que tal providência propiciaria o controle da inflação e o aumento dos investimentos públicos e privados. Também é preciso estabelecer política eficiente de crédito, para produção e consumo, considerando a redução dos juros.

Outra tarefa imprescindível é implementar política comercial eficaz, abrangendo câmbio adequado, consolidação do intercâmbio com os partners tradicionais, conquista de novos mercados e ferrenha luta contra a pirataria, na qual a Fiesp tem sido uma das principais articuladoras. As teses da entidade incluem as reformas política, trabalhista e tributário-fiscal, bem como a implementação das Parcerias Público-Privadas, para solucionar o gargalo da infra-estrutura, e algo muito importante: mais apoio e estímulo às micro e pequenas empresas.

É nesta direção que tem atuado a Fiesp, exercitando o que denomino de autoridade produtiva. A entidade tem apresentado contribuições significativas, muitas já adotadas pelo setor público. Por exemplo: dentre os itens da MP do Bem, depois encampados pela Medida Provisória 255, cinco foram propostos pela Fiesp, inclusive o relativo à desoneração fiscal na construção civil, de R$ 250 milhões em 2005 e R$ 500 milhões em 2006. As bandeiras da indústria transcendem a defesa dos interesses do setor, abrangendo o projeto de um Brasil mais próspero e capaz de vencer o desafio da competitividade na economia global.

* Paulo Skaf é presidente da Fiesp - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo