Associação imbatível

* João Guilherme Sabino Ometto

Embora o Brasil seja um grande produtor de carnes bovinas, suínas e de frango, pode evoluir ainda mais na prospecção desses mercados. As estatísticas evidenciam o imenso potencial de desenvolvimento. Afinal, são cerca de 14 milhões de toneladas produzidas por ano. Parte segue para o Exterior, representando aproximadamente oito bilhões de dólares em divisas para o País. Uma participação expressiva de quase 7% na pauta das exportações brasileiras.

Números significativos como os apresentados acima denotam o quanto esse setor tornou-se um grande gerador de renda e emprego. De fato, o segmento dispõe de um sistema de produção bastante avançado. A sua cadeia, do campo até a venda no atacado, utiliza-se de tecnologia de ponta e de enorme sinergia na realização dos negócios. Além disso, esmera-se — com sucesso — para atender aos acordos e requisitos internacionais.

Estas exigências do mercado externo recaem basicamente sobre a segurança alimentar, qualidade e rastreabilidade dos produtos. Outras medidas não compulsórias internacionalmente são adotadas aqui, como a alimentação do rebanho à base de ração vegetal (eliminando o risco da doença da vaca louca) e áreas adequadas e amplas para a criação dos animais. Todo esse esforço tem sido um instrumento importante de barganha com outros países para a venda da carne brasileira. Estes procedimentos têm sido importantes para conferir competitividade à carne brasileira e até mesmo no enfrentamento do problema da febre aftosa, que insiste em se manifestar em alguns rincões fronteiriços, suspeitando-se que tenha origem em nações vizinhas.

Aliás, no caso da febre aftosa, que está praticamente controlada em nosso território, vale ressaltar a injustiça de alguns países em manter o embargo à carne bovina nacional. É o caso do Chile, que sustenta o bloqueio do produto proveniente de alguns estados brasileiros, embora eles estejam cumprindo todas as exigências sanitárias internacionais. No que tange à chamada gripe aviária, o problema é mundial e o controle requer um esforço que envolva todas as nações do mundo. No Brasil, felizmente, esta doença infecciosa não se manifestou.

Entretanto, há questões a serem discutidas no setor da carne, visando ao seu incremento, ainda maior, no mercado nacional e internacional, principalmente no que se refere à carga tributária. Porém, é importante ressaltar que, apesar da alta sinergia existente entre os participantes da cadeia produtiva da carne, o setor, com certeza, seria ainda mais eficiente se as entidades dos segmentos da carne bovino, suína e de frango estivessem operando sob um mesmo guarda chuva institucional e representativo, reunidas numa associação única e mobilizada na defesa dos interesses comuns.

Tal avanço certamente teria impacto muito positivo na competitividade da carne brasileira. A entidade maior aqui proposta, com representação equânime dos distintos segmentos da cadeia produtiva, poderia também contribuir para o aporte tecnológico, desenvolvimento de novos produtos e integração plena dos produtores, frigoríficos, distribuidores, varejistas e exportadores. Talvez seja este o próximo e decisivo passo a ser dado pelo setor, tornando-o imbatível no mercado mundial.

* João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro e vice-presidente da Fiesp e membro do Conselho Universitário da Universidade de São Paulo