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Bioconstrução
leva ao consumo consciente
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* Marcelo Todescan e Frank Siciliano Não é preciso ser ativista de algum grupo ambientalista para agir em favor da natureza, os moradores de grandes metrópoles também podem contribuir com o meio ambiente adotando reformas e construções alicerçadas na bioconstrução. O projeto integra homens, mulheres, crianças e profissionais do ramo da construção, num só propósito: erguer uma casa confortável, prática, saudável e ecologicamente correta.
A técnica da Bioconstrução é uma forma conceitual que vai além de uma manifestação arquitetônica. Essa técnica interativa possibilita a elevação da auto-estima do morador e o torna ativo, já que este participa de todo o processo construtivo. Amassar barro para erguer as paredes da casa dá a verdadeira importância de fazer parte, de interagir com o meio ambiente e dar referência ao que é nosso.
O fato de criarmos alternativas viáveis para a construção e manutenção de comunidades sustentáveis garante qualidade de vida as futuras gerações. Por conta disso, desenvolvemos um projeto utilizando a técnica japonesa "Tsuchi Kabe", empregada na construção de templos budistas, casas de luxo e edificações no estilo tradicional.
Usamos a técnica japonesa por sua tradição milenar e por ser uma solução socioambiental. Ela é simples e fácil de fazer, pois utiliza matérias-primas naturais, como pedras nos alicerces, paredes leves e finas, de estrutura em madeira reciclada, bambu, terra e argila. Obras bioconstrutivas fazem bem à saúde, pois casas com paredes de barro controlam a umidade e a temperatura interna da residência é muito melhor do que a de alvenaria convencional.
As pessoas podem optar por construções inteiras ou reformas parciais. Construir um prédio de pau-a-pique e barro é complicado, porém nada impede usar esse material natural nas paredes internas dos apartamentos. Além disso, há outros materiais que podem substituir os convencionais, como móveis feitos de madeiras recicladas, lâmpadas mais eficientes para consumir menos, aquecedor no lugar do chuveiro elétrico, entre outros. Em nossos projetos tudo gira em torno do consumo consciente.
O projeto bioconstrutivo não é tão caro como se pensa, já que é possível adequar a residência a projetos como captação e reuso de água, tratamento de esgoto, captação de energia solar e utilização de matérias-primas da região. A possibilidade de integrar as necessidades de conforto e qualidade de vida a uma forma ética e sustentável de viver é a grande sacada deste segmento.
Acreditamos que valores monetários não são tão importantes. Afinal, técnicas ecologicamente corretas e que estimulam a integração social, reforçando os relacionamentos com vizinhos, amigos e familiares não tem preço. Construir nossa casa é como construir um templo, pois estamos criando um espaço sagrado no qual vamos passar grande parte de nossas vidas.
Por isso idealizamos a primeira ecovila urbana na Capital paulista, batizada como Ecovila São Paulo. No contexto atual da tensão estabelecida entre os modelos de desenvolvimento e ocupação do território e a urgência da preservação e da recuperação dos recursos naturais e da qualidade ambiental urbana, surge a necessidade de trabalhar com materiais sustentáveis que dão o mesmo efeito e requinte que uma moradia confortável pede.
Num mundo globalizado economicamente e culturalmente, observamos que as sociedades latino-americanas adaptam-se cada vez mais aos modelos ocidentais de desenvolvimento, que estão distantes da nossa realidade e capacidadede ambiental. Esses modelos precisam de transformações urgentes ou causarão a degradação acentuada dos nossos principais ecossistemas, dos quais depende nossa sobrevivência a longo prazo. É nas nossas cidades, onde a atividade humana é mais intensa e concentrada, que o desafio do redesenho ecológico se faz mais urgente. Cada um deve fazer a sua parte, a nós arquitetos cabe o redesenho dessa sociedade.
* Marcelo Todescan e Frank Siciliano são profissionais responsáveis pela nova roupagem da rede McDonalds na América Latina, rede de Hospitais Vita, nova sede do Instituto Bacarelli e estão frente do projeto de sustentabilidade Gaia Education no Brasil, que visa multiplicar o conceito sustentável. |