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Francisco Antonio Feijó
Dia desses
lembrei-me do Cacique Juruna. Quem ainda se lembra dele? O Cacique
Juruna foi o primeiro descendente direto de índios que se elegeu
deputado e ocupou uma cadeira na Câmara Federal (PDT-RJ) no
período de 1982 a 1986.
Figura estranha, sempre com um gravador analógico nas mãos,
gravava tudo o que ouvia, ou não devia ouvir, e muita confusão
criou com esse procedimento.
À época não existia o telefone celular e a telefonia
fixa brasileira ainda não tinha atingido o status
que hoje alcançou.
Imaginem se o Cacique Juruna tivesse divulgado tudo o que gravou?
Será que na década de 80, em que foi deputado federal,
fatos como os que agora vêm a público em gravações
audíveis e claras, também aconteciam? Ou será
que tudo o que agora se lê, ouve ou vê, são fatos
hodiernos resultantes da evolução tecnológica
ou de outras origens antigamente inexistentes?
Mudou o que? o modelo do gravador do Cacique Juruna? A vontade de
apurar, ou o volume crescente de fatos ocorridos de lá para
cá, que chegou a um ponto tal que como geralmente se diz, ultrapassou
os limites? A casa caiu por excesso de peso das pessoas
envolvidas ou das moedas acumuladas.
Os fatos estão sendo apurados, a Justiça está
para julgar, não nos cabe discutir se são verídicos
ou não, pois desconhecemos todas as provas e os envolvimentos.
Entretanto, temos a obrigação e o dever de acompanhar,
de saber o que aconteceu e acontece, e ver o perfil dos envolvidos.
Que coisa incrível!
Sem adentrar ao mérito, quantos fatos vieram à baila
nos últimos meses, quantos acontecimentos nesta República
que nós, míseros mortais, trabalhadores, somos obrigados
a ver e sentir na carne.
Porque se verdadeiramente ocorreram desvios, nosso rico dinheirinho,
arrecadado de impostos que oneraram nossos ganhos (não lucros),
foi pelo ralo ou garantiu ou ainda garante uma série de vantagens
e benesses a um número privilegiado de pessoas, que ainda consegue
dormir e quem sabe roncar, por apnéia ou desvio de septo, sonhando
com carneirinhos ou outros bichinhos que passaram por cima das porteiras
e das cercas que deveriam ser de arame farpado e na realidade eram
virtuais e se transformaram em números, simples indicativos
de nomes ou números de contas bancárias.
Acho que o Cacique Juruna, talvez dentro de sua ingenuidade e sensibilidade
indígena, não conseguiria entender, mesmo gravando,
o que realmente aconteceu com as diversas situações
divulgadas pela imprensa nos últimos meses, sobre os desmandos
ou a desfaçatez de alguns envolvidos, que tentam, utilizando
frases de efeito, mudar a interpretação de fatos que
para nós profissionais liberais, é clara.
Quem pretende enganar quem?
Enfim, vamos aguardar a conclusão dos fatos e lutar para que
o avanço tecnológico, a exemplo do que aconteceu com
o gravador do Cacique Juruna, nos garanta gravações
cada vez mais audíveis, para que aqueles que chiam,
desapareçam e as coisas fiquem mais claras e nosso rico dinheirinho
não suma tão fácil.
* Presidente
da Confederação Nacional das Profissões Liberais-
CNPL