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TRÁFEGO
AÉREO NO BRASIL: |
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* Francisco Antonio Feijó Quase um ano após o lamentável choque entre um Boeing da Gol e o Jato Executivo Legacy, em 29 de setembro de 2006, outro terrível acidente aéreo acontece em Congonhas, São Paulo, no dia 17 de julho, vitimando quase duas centenas de pessoas, e nos obrigando a uma reflexão mais profunda sobre os problemas da aviação no Brasil, que já se estende há algum tempo, infelizmente, sem solução nem perspectivas de melhora.
Daquela até esta data, foi refeita a pista principal do Aeroporto de Congonhas que, açodadamente ao que dizem os técnicos, foi aberta ao tráfego com toda pompa e que agora, ao que anunciam esses mesmos especialistas, estaria incompleta, imprópria ao uso, em razão da falta de ranhuras que permitem a circulação da água.
E pior ainda, ao que vimos e ouvimos, as comunicações entre a torre e os pilotos estariam prejudicadas, uma vez que os controladores não souberam se o piloto do referido avião teria recebido o aviso de que havia água na pista e que deveria tomar cuidados ou não pousar. Além da recente pane nos sistemas de radares na região do Cindacta-4
E o mais triste, insensíveis aos prejuízos, dores e constrangimentos da população, autoridades governamentais, companhias aéreas, pilotos e controladores de vôo não se entendem no relacionamento técnico terra/ar, que são obrigados a manter, colocando em risco vidas preciosas de cidadãos que precisam e têm o direito de ir e vir, discutindo entre si, a quem cabe a culpa, ou comemorando ostensivamente, sem pudor, grotescamente, quando descoberto que a culpa não teria sido de A e sim de B, mas quem morreu foi C- o passageiro.
Enquanto a verdadeira caixa preta permanece obscura, sem definições objetivas das culpas diretas, se bem que de forma geral todos são responsáveis, surge uma importante interrogação diretamente relacionada às entidades de Classe que congregam profissionais liberais.
A preocupação recai sobre as autoridades governamentais e aeroportuárias, sobre as companhias aéreas, sobre o homem, piloto que comandava a aeronave, ou sobre o dirigente sindical, por permitir que uma situação dessas perdure e crie perniciosas raízes?
Creio que sobre todos, primeiramente sobre o homem, ou os homens que integram as entidades e que, ao mesmo tempo, se utilizam por dever de ofício do transporte aéreo; sobre os dirigentes sindicais, por que deveriam entender que está ocorrendo um choque entre duas categorias importantes de alto nível técnico responsáveis por nossa segurança em terra e no ar; sobre as autoridades governamentais pela leniência na solução dos problemas e sobre as companhias aéreas, que colocam o negócio acima de qualquer interesse humano.
Como é possível entender que quem controla o vôo de um imenso Airbus ou um Boeing, ou mesmo um Fooker ou até um ATR, possa passar informações para que o comandante do aparelho fique em vôo baixo, aguardando ordens para subir, sabendo que o consumo de combustível é muito maior e que a segurança a baixa altura é difícil, enfim, que estamos correndo riscos maiores, como o esgotamento do combustível ou até uma falha mecânica.
Não se pode tirar o direito de quem quer que seja, de defender seus interesses e de sua categoria profissional, desde que não coloque em risco a segurança e a vida de terceiros, usuários, no caso dos serviços.
Imagine se um profissional liberal de outra categoria como médico, engenheiro, contador, advogado, simplesmente por estar de mal com a vida ou com terceiros, decidisse praticar um ato falho em sua especialidade profissional, prejudicando seu cliente, seu atendido, seu constituído. Este seria punido eticamente por seus órgãos de classe, seria execrado por sua comunidade.
Tomando conhecimento do cenário que envolve a situação aérea brasileira, as coisas que estão acontecendo nos céus e nas salas escuras dos gabinetes, empresas, sindicatos e controladores de vôo, sinto medo.
Medo de viajar nesta semana e na outra e nas que se seguirão. Com certeza, se pudesse não viajar, não viajaria.
Será que esta semana a minha aeronave vai ficar voando baixinho na saída de Congonhas, parada no ar como um pássaro que, infelizmente, não sabe o que fazer, ou ficará subindo, subindo até alcançar sua atitude de cruzeiro para nivelar e seguir tranqüilamente sua rota? Ou será que uma vez em terra, quando a viagem parecia terminar, terminarei minha vida em um trágico, inesperado e inexplicável acidente?
Atitudes precisam ser tomadas, com urgência para resolver essa situação que nos deixa a todos em pane. Mesmo respeitando, como sindicalista, o direito de liberdade sindical, entendo que excessos não são bons e que quando um problema demora muito tempo para ser resolvido, tende a crescer e a se multiplicar.
Enfim, vamos torcer para que as autoridades ponham o pé no chão e resolvam esta lamentável situação o quanto antes, porque afinal de contas, o que fazer neste Brasil imenso, sem o avião, as tripulações, os comandantes e principalmente os controladores de vôo?
Que Deus nos proteja esta é a frase que me vem à lembrança. Afinal Ele é brasileiro... dizem.
* Francisco Antonio Feijó: Presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais CNPL, Entidade que agrega 38 Federações e 600 Sindicatos de Profissões Liberais. |