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Para
muitas pessoas, passar dos 60 anos significa o fim de linha, e a simples
menção à palavra aposentadoria pode
causar desânimo e tristeza. Mas por quê não encarar
essa fase da vida como um recomeço para a família, os
amigos e até à carreira profissional? Para falar sobre
tema, o Informativo CNPL entrevistou a pedagoga, especialista
em gerontologia, Cristina Fogaça. Confira!
Muitos
traduzem a palavra aposentadoria, como o fim da vida. Na
sua opinião, porque é comum às pessoas entrarem
em depressão nesta fase?
Cristina
Fogaça
Até há pouco tempo, pessoas com 55, 60 anos eram
consideradas velhas, sem perspectivas de vida e então ficavam
em casa, dentro dos aposentos, muitas vezes esperando a morte chegar.
Muitos jovens e adultos contam nos dedos os anos para a aposentadoria,
pois o trabalho é um aborrecimento. Não têm maturidade
suficiente para perceber o que vem pela frente. Quando ela chega, percebem
que não estão preparados. Depois de tantos anos com o
relógio comandando suas vidas, há um período de
adaptação que, muitas vezes, é doloroso. Devemos
sonhar com a aposentaria (se ainda existir no futuro), mas ao mesmo
tempo, nos prepararmos para recebê-la. Outros fatores também
podem contribuir com a depressão, como a "sindrome do ninho
vazio", que é quando os filhos crescem e saem de casa ou
não dependem mais dos pais, a viuvez, e a solidão, pois
muitos não cultivam as amizades durante a vida devido ao trabalho.
Hoje
é visível que a terceira idade está mais presente
no mercado de trabalho. O que aconteceu?
Cristina
Fogaça
Acredito que, ainda em número reduzido, os empresários
já enxergam que o idoso tem diversas qualidades como a responsabilidade
e a experiência. Ele já está com os filhos criados,
não precisa faltar no emprego para levar filho ao médico,
muitos trabalham por opção, não têm perigo
de licença maternidade, têm vontade de progredir, tem mais
jogo de cintura para administrar situações, pela própria
maturidade.
Em
relação aos avanços tecnológicos, como se
enquadra a terceira idade?
Cristina
Fogaça
Muitos demonstram interesse, atualizam-se fazendo cursos de computação,
entram em salas de bate-papo, realizam pesquisas, estudam, se correspondem
com amigos, filhos e netos que estão em outros países,
tudo pela Internet. Esse novo idoso sabe usar o microondas, o cartão
do banco, de crédito, dirigem seus carros.
Dados
mostram que a população de idosos vem crescendo e que
o Brasil será um País maduro em breve. Como a senhora
vê essa questão?
Cristina
Fogaça
É uma questão séria, pois o País
não resolveu nem os problemas com as crianças. Andamos
com os dois extremos etários paralelos. Nossa pirâmide
populacional está deixando de ser uma pirâmide para torna-se
quase uma coluna, e se não tomarmos cuidado, podemos inverter
a posição da pirâmide. Historicamente, os governos
brasileiros não se preocupam com o envelhecimento da população.
E infelizmente, isso se reflete na sociedade. Muitos nem conhecem o
Estatuto do Idoso. Dados do IBGE mostram que o Brasil tem 14 milhões
de desempregados e 15 milhões de idosos, quem pagará as
futuras aposentadorias? E até mesma as atuais? Precisamos resolver
os problemas das duas pontas da pirâmide populacional: da criança
e do idoso. Mas parece que a preferência, mesmo que seja pouca,
mas é mais do que com o idoso.
O
governo está fazendo, de efetivo, para a população
idosa?
Cristina
Fogaça
O governo tem tudo bem bonito no papel. O Estatuto do Idoso abrange
todas as áreas, como saúde, educação, transporte,
cultura, etc. Há Fóruns de Idosos em várias regiões,
Centros de Referência de Saúde de Idosos, mas há
muito mais para ser feito. Precisamos colocar na prática o Estatuto
e a Constituição, mas para isso é necessário
a participação em massa dos idosos, que muitas vezes são
acomodados e/ou não são conscientes de seus direitos.
DE
LEÓN COMUNICAÇÕES
Jornalista Responsável
Lenilde de León (lenilde@deleon.com.br)
www.deleon.com.br
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