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Promover
e recuperar a saúde, além de prevenir doenças são
algumas das principais funções do nutricionista. Graças
à sua formação generalista em saúde e à
crescente busca diária por qualidade de vida, os graduados em
Nutrição têm a sua disposição um amplo
leque de possibilidades, podendo atuar nas áreas clínica,
hospitalar e no atendimento personalizado.
Para
esta edição do Informativo CNPL, entrevistamos
a presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e
Nutrição SBAN, Sílvia Cozzolino. A nutricionista
falou um pouco sobre a ciência da Nutrição, dando
dicas de como bons hábitos alimentares trazem disposição
e saúde.
Qual
o papel do profissional de Nutrição na saúde e
bem-estar das pessoas?
Na
área de pesquisa nutricional, tem se procurado novas ferramentas
e metodologias para entender o comportamento do organismo frente ao
meio ambiente, aos alimentos ingeridos e ao tipo de atividade física
desenvolvida pelas pessoas. A idéia é tentar descobrir
como utilizar os recursos da natureza para melhorar o desempenho do
nosso organismo. As pesquisas estão evoluindo cada vez mais nesta
direção, para que possamos aproveitar, ao máximo,
os recursos de que dispomos para viver mais e melhor. A ciência
da Nutrição está passando por mudanças muito
rápidas e a cada dia aumenta o número de pessoas que dão
importância a uma alimentação adequada.
Como
o acompanhamento nutricional pode ajudar na prevenção
de doenças como diabetes, anemia, hipertensão, entre outras?
A
atuação do nutricionista deveria ser principalmente no
sentido de prevenir doenças decorrentes de maus hábitos
alimentares. Mas, infelizmente isso não acontece porque muitas
pessoas só buscam orientação profissional quando
estão doentes. À medida que se cultive hábitos
de vida saudáveis no cotidiano, o risco de ficar doente é
bem menor.
Hoje
existe um abuso na quantidade de agrotóxicos utilizados que podem
se tornar prejudicial?
Há
muita desinformação por parte de quem aplica os agrotóxicos.
A maior parte dos problemas de intoxicação ocorre por
mau uso. Os agrotóxicos que estão no mercado devem ser
controlados e utilizados na dosagem correta. O maior problema é
a desinformação. Uma das alternativas é a utilização
de produtos orgânicos, mas eles não dão conta de
atender toda demanda e são acessíveis a poucas pessoas,
principalmente pelo seu valor.
O
nutricionista, na verdade, está mais voltado para análise
do valor nutricional dos alimentos, do que para os aspectos de contaminação.
Entretanto, o profissional deve agregar esse conhecimento, para poder
orientar qual é a maneira adequada de utilização
do produto, evitando assim, a contaminação.
Muitas
pessoas procuram o nutricionista com a expectativa de perder peso rapidamente.
Qual deve ser a postura do profissional?
Indicar
uma dieta saudável adequada para cada indivíduo em sua
fase da vida, para que ele possa explorar ao máximo o seu potencial
genético. O nutricionista não pode se preocupar somente
com o emagrecimento, apesar de esta ser uma constante demanda nos consultórios.
Atualmente o maior problema enfrentado pelos nutricionistas ao orientar
as pessoas, não é a desnutrição e sim, a
má nutrição. O profissional tem o papel preponderante
para orientar qual a alimentação adequada. Hoje, a obesidade
está se tornando epidêmica, não somente nos EUA
- país com número maior de obesos -, mas também
no Brasil.
Como
evitar que os programas de perda de peso também gerem perda de
saúde?
Mesmo
as pessoas bem informadas podem ser iludidas por promessas de milagres.
Ouvimos e presenciamos muitas dietas totalmente desbalanceadas que ninguém
sabe de onde surgiram. Nos regimes mais drásticos, perde-se peso
em um curto intervalo de tempo, porque perde-se muita água e
há ilusão de emagrecimento, mas depois que o organismo
volta ao normal além de recuperar todo o líquido, a pessoa
voltar a engordar mais. A dica é sempre procurar um profissional
que indique uma dieta balanceada para perder peso.
A senhora
acredita que é importante que os nutricionistas trabalhem em
conjunto com os professores de atividades físicas?
Com
certeza. No campo acadêmico existe uma associação
dos nutricionistas não só com os professores de atividades
físicas, mas profissionais da Psicologia, Farmácia e Medicina.
Todos têm interesse em trabalhar em conjunto, porque com essa
troca de informações, conseguimos obter um bom resultado
e a pessoa alcança a qualidade de vida esperada.
Na área
de saúde existem muitas pesquisas contraditórias, relacionadas
ao custo-benefício de determinados alimentos para a saúde.
Por que tantas divergências?
Cada
vez mais as metodologias e técnicas de análise das pesquisas
melhoram. À medida que se têm aparelhos mais sofisticados
e técnicas químicas, bioquímicas que medem as substâncias
em um nível bem menor, acaba-se tendo um conhecimento mais apurado.
O problema são as distorções.
Por
exemplo, o que está na moda em pesquisa nutricional são
os alimentos funcionais, os minerais. As pessoas que consomem vegetais
têm maior longevidade e qualidade de vida. Estes alimentos são
compostos, em geral, por minerais, vitaminas e fibras. Mas só
isso não é suficiente para determinar a saúde.
Os pesquisadores ainda têm muito que evoluir nesta área.
Os
produtos light/diet, que invadiram as prateleiras dos supermercados,
são saudáveis?
Isso
é preocupante. Acredito que quando esses novos produtos com edulcorantes
foram lançados, para substituir o açúcar, pensou-se
em uma dose máxima que poderia ser consumida. O órgão
internacional que regula a utilização de aditivos, contaminantes,
corantes e outros produtos, o Codex Alimentarius, determinou uma quantidade
máxima dessas substâncias por produto.
O
problema é que, hoje, a explosão de produtos diets leva
a um excesso de consumo cumulativo que pode ser prejudicial. Um outro
aspecto a ser considerado é que nestes produtos à base
de edulcorantes, o sabor doce é mais intenso do que nos produtos
convencionais, com açúcar. Isso pode causar uma alteração
no paladar, fazendo com que as pessoas busquem consumir mais doces.
Qual
a melhor alternativa para saúde e o equilíbrio na alimentação?
As
pessoas deveriam diminuir a quantidade de açúcar que colocam
nos produtos para adoçar e não somente substituir por
produtos diets, criados para os diabéticos. No Brasil, os doces
são muito doces, então, as indústrias deveriam,
aos poucos, diminuir a quantidade de açúcar para a população
ir se acostumando com o sabor. Simultaneamente, as pessoas deveriam
substituir alguns tipos de gorduras por outros óleos monoinsaturados.
Precisamos
consumir mais verduras e frutas. Ao fazer isso, temos uma quantidade
maior de micronutrientes e fibras no organismo, o que gera a sensação
de saciedade. Deve-se ainda substituir metade dos cereais convencionais
por cereais integrais que têm mais nutrientes: vitaminas, lipídios,
minerais, proteínas e fibras. Comer carne, com moderação,
pois o alimento contém vitaminas, minerais e proteínas
importantes. O leite, fonte de cálcio também não
pode faltar na alimentação, exceto em caso de alergias.
Esses hábitos, associados a atividades físicas regulares,
trazem muitos benefícios.
DE
LEÓN COMUNICAÇÕES
Reportagem
Camila Fróis (camila@deleon.com.br)
Jornalista
Responsável
Lenilde de León (lenilde@deleon.com.br)
www.deleon.com.br
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