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Em
entrevista ao Informativo CNPL, o presidente da Ordem dos Advogados
do Brasil Seccional São Paulo (OAB-SP) manifesta seu descontentamento
com a atual crise política brasileira e ressalta a importância
de uma apuração transparente dos fatos e punição
aos envolvidos. D´Urso é advogado criminalista, mestre
e doutor em Direito pela USP.
Como
o senhor vislumbra o desfecho desta crise política que assola
o País?
Luiz
Flávio Borges D'Urso
- Ninguém sabe, ainda, que proporções tomarão
as denúncias de corrupção. A cada depoimento surgem
novos fatos e mais investigações são iniciadas,
com novos desdobramentos. No entanto, a apuração transparente
e a punição é o que a sociedade espera. Quem estiver
envolvido deve ser exemplarmente punido. É preciso dar uma resposta
à Nação com base na verdade. Queremos a verdade.
Toda a sociedade se articula contra a corrupção, em inúmeras
manifestações públicas, inclusive no Ato Público
do Grito do Silêncio, promovido no último dia 6, em São
Paulo, por inúmeras entidades da sociedade civil, inclusive a
OAB SP e o Sescon-SP. A sociedade está vigilante e não
tolerará qualquer tipo de acordão.
Como
o senhor avalia o presidente Lula diante deste cenário político?
D'Urso
- Toda a Nação brasileira deseja saber se o presidente
da República teve conhecimento da série de denúncias
em curso. Não há como negar que a corrupção
desenfreada envolvendo parlamentares e membros do governo e do partido
governista choca o País. Ademais, o declínio dos mecanismos
políticos clássicos partidos, parlamentos, oposições
tem propiciado a emergência de novas formas de representação
políticas, entre as quais a tecnodemocracia, composta pela união
entre os interesses das organizações econômicas,
da burocracia estatal e do sistema político. Sob esse novo triângulo
de poder, as democracias liberais abrem frestas para a multiplicação
das mazelas que solapam as bases do Estado. A conseqüência
é a deterioração dos níveis de qualidade
das instituições políticas e sociais. Esse quadro
político-institucional traz enorme preocupação
à classe dos advogados. Por lei e conforme o Estatuto da Advocacia,
a categoria tem como uma de suas missões a defesa intransigente
da democracia.
Na
sua opinião qual seria a melhor solução para o
País: impeachment, a renúncia ou a permanência do
presidente Lula?
D´Urso
- O governo do presidente Lula perdeu terreno, com o desmoronamento
da base de sustentação política e com a perda dos
principais quadros do PT, evidentemente. Os brasileiros esperam que
ele se pronuncie de maneira inequívoca sobre os fatos. Mas, é
prematuro falar em impeachment ou renúncia até porque
não existe acusação formal contra o presidente.
Após
esses fatos e o descrédito da população nos políticos,
como o senhor vê as próximas eleições?
D´Urso
- O País tem passado por inúmeras crises em sua história.
No entanto, vive hoje a mais devastadora de todas, que remete para a
crise moral e ética na política, que traz conseqüências
desastrosas para toda a sociedade e coloca em risco o Estado Democrático
de Direito. Se não contornada com habilidade e coragem, a crise
política do momento detonada por uma série de denúncias
de corrupção, tráfico de influência, nepotismo,
assédio financeiro pode resultar numa nova postura da
classe política. Uma ampla reforma política-partidária
e a cobrança popular deve resultar na moralização
de comportamentos e práticas dos políticos tanto desta
legislatura como dos postulantes da próxima campanha eleitoral,
no próximo ano. Os eleitores, antes de tudo cidadãos,
devem estar conscientes da importância do voto e escolher candidatos
éticos e compromissados com o interesse público. Os votos
brancos e nulos, certamente, não serão a melhor resposta
das urnas para a corrupção.
DE
LEÓN COMUNICAÇÕES
Jornalista Responsável
Lenilde de León (lenilde@deleon.com.br)
www.deleon.com.br
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