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Depoimentos das profissionais liberais: Dia Internacional da Mulher

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Depoimento Maria Anselma Coscrato dos Santos – contabilista e diretora social do SESCON/SP

CNPL: Como a senhora se vê enquanto mulher profissional liberal?
 
Dra. Maria Anselma: Primeiramente devo dizer que para mim é uma honra participar desta entrevista onde considero ser a CNPL uma entidade que mais tem procurado valorizar  a importância do profissional liberal, no contexto da sociedade Brasileira e porque não dizer, internacional.
 
A minha visão e participação como profissional liberal e mulher é de que não existem mais distâncias entre o trabalho masculino e o feminino como existia na época em que iniciei na profissão contábil, em meados de 1977.  Não foi fácil trilhar esse caminho profissional, pois sendo mulher, continuava a cuidar da casa e escolhi também ser mãe. Tive que provar muito minha competência o tempo todo. Hoje vejo que temos que continuar provando, mas não mais pelo fato de sermos mulheres e sim porque o mercado é muito competitivo, de modo que quem sobrevive é quem busca o conhecimento, a excelência, o diferencial.
 
CNPL: Quais as perspectivas dentro da sua profissão sob o ângulo feminino?
 
Dra. Maria Anselma: As perspectivas nestas áreas, como em qualquer outra, são sempre positivas para qualquer pessoa que tenha determinação e garra para vencer; para quem busque o conhecimento incessantemente e para quem busque seus objetivos com honestidade, independentemente de ser homem ou mulher.
 
CNPL: E dentro do sindicalismo, a senhora acredita que houve avanços em relação à presença feminina?
 
Dra. Maria Anselma: Acho que em todas as entidades houve um aumento significativo da participação da mulher. No entanto, acho que ainda há poucas mulheres em cargos de tomada de decisões. Só que esses cargos têm que ser ocupados por mulheres que façam por merecer, não somente por serem mulheres.
 
CNPL: Sabe-se que não basta apenas às mulheres estarem presentes em determinada profissão, é preciso que elas tenham voz ativa, que representem, que trabalhem de fato. Na sua opinião, isso tem acontecido no âmbito das profissionais de contabilidade?
 
Dra. Maria Anselma: Acredito que sim. Temos na classe contábil muitas mulheres que têm feito trabalhos de grande relevância para a classe e para a sociedade como um todo. E é isso o que temos que buscar: pessoas - mulheres ou homens - que trabalhem de forma honesta e buscando sempre a excelência. Que trabalhem pelo progresso e não apenas se encostem em cargos.
 
CNPL: Por favor fale sobre o Dia Internacional da Mulher: sua visão sobre as profissionais liberais nessa data comemorativa.
 
Dra. Maria Anselma: Sabemos que o preconceito e a exclusão da mulher foram uma constante no desenvolvimento da sociedade brasileira e que ainda há algumas situações em que a mulher sofre algumas barreiras. Na última década é que as condições têm ficado mais igualitárias. Só que acho que o trato entre o profissional homem e a profissional mulher têm que ser mais natural e não ficar dizendo que a mulher isso, a mulher aquilo...Hoje tanto o homem quanto a mulher, com uma condição financeira razoável, têm acesso à informação, ao estudo, ao conhecimento. Mais importante que o gênero é a garra. Portanto, a minha visão sobre as profissionais liberais nesta data é a mesma que em qualquer outra data: lutem, busquem o conhecimento, busquem a evolução.
 
Hoje recebo em São Paulo o Prêmio SEBRAE Mulher de Negócios 2010 e peço licença para dividir este prêmio com todas as profissionais liberais.
 

Depoimento de Sandra Ventura Regis - jornalista, professora, empresária, juíza do trabalho e líder sindical no estado da Bahia

CNPL: Como a senhora se vê como uma profissional liberal?
 
Dra. Sandra Ventura: Primeiro gostaria de definir o que é profissional liberal uma palavra que teve origem no latim e que significa ser livre, sem subordinação a qualquer patrão ou ente de comando. Não é um profissional regido pela CLT e sim pelo Código Civil e tantas outras normas jurídicas. É um profissional que precisa ser estar atualizado de modo intelectual e técnico para acompanhar as transformações profissionais do universo global. O exercício da profissão depende do seu conhecimento e habilidade, para que possa competir com os outros profissionais  de sua categoria o mercado de trabalho.

No meu caso específico tive a oportunidade de me realizar em várias áreas do conhecimento passando por segmentos diferentes o que hoje leva-me a um balanço muito gratificante,pelo fato de ser mulher,atravessar muitos desafios,ter estudado muito e ainda quero continuar estudando com atuações na área do Magistério,como professora,na área Publicitária, como proprietária de uma agência de Publicidade e de duas empresas de outdoor, como Juíza do Trabalho do TRT da 5ª Região,como presidente da OSCIP - Associação Brasileira de Apoio aos Municípios,como jornalista em todos os jornais de Salvador,ou sejam Diário de Notícias,Jornal da Cidade,Jornal da Bahia ,Tribuna da Bahia e A TARDE, onde me tornei a primeira mulher editora da Bahia. Os outros jornais não existiam à minha época, surgiram depois, quando eu já derivava para outros segmentos. Toda essa situação exigiu de mim muita inteligência emocional, paciência, humildade para aprender com os erros e uma mente inquieta para não deixar de inovar sempre. Vivemos a era da Tecnologia da Informação, com transformações  abruptas e com isso deve o profissional liberal estar sempre conectado para garantir a sua sobrevivência no mercado de trabalho.Vejo-me vitoriosa e ao mesmo tempo carente de um aperfeiçoamento constante.
 
CNPL: Quais as perspectivas dentro da sua profissão sob o angulo feminino?
 
Dra. Sandra Ventura: Vamos responder essa pergunta por partes porque teremos que abordar cada segmento sob a óptica das suas perspectivas.

Inicialmente falaremos sobre o magistério, profissão que desde o avento do estado laico, ou seja, a ciência separada dos dogmas do cristianismo, prosseguiu  no século passado e até os dias de hoje tem sido uma prerrogativa feminina, nesse caso estamos falando do primeiro e segundo graus. Com a emancipação da mulher conquistando os vários segmentos e consequentemente os vários postos de trabalho ela está presente massiçamente nos cargos de graduação e das pós-graduações, assim como  nos cargos de diretoria,secretaria e como empresária na área do ensino. O magistério ainda hoje tem sido uma área predominantemente feminina.

Na publicidade, no que pese, ainda, ser uma área eminentemente masculina, a mulher tem conquistado espaços vantajosos, na direção de agências, como empresária. Ela já tem representatividade num mundo em que somente os homens eram a estatística.
Por outro lado no Jornalismo impresso, televisivo e radiofônico, a mulher que até metade do século XX era quase nada, hoje tem a presença feminina bastante ostensiva, como é o caso dos programas de TV e informativos, até mesmo no jornalismo esportivo a presença feminina já é familiar. Não podemos deixar de considerar que em alguns casos os donos dos veículos de TV veem no filão feminino uma forma de vender seu produto,muito mais do que valorizar o talento feminino.Escolhem mulheres jovens,bonitas e atraentes contrariando toda uma conquista de luta pela igualdade dos gêneros.Em regra geral a presença feminina tem sido um desafio na mídia para a dignidade das mulheres.

Falando agora do Terceiro Setor, onde se incluem as fundações, ONG, associações, OSCIPS. Nesse setor poderíamos dizer que à exceção das fundações, as mulheres estão em situação de igualdade com os homens, até porque são setores que envolvem, sobretudo, a sensibilidade, a doação, a percepção do outro como carente e a mulher tem se dedicado a grandes projetos, que têm resultado em grandes resultados na parceria público/privada, tendo essas organizadas resultado em benefícios da sociedade civil em prol de grandes causas.

Passando de um pólo a outro vamos falar das ciências jurídicas, segmento onde a mulher experimenta  grandes avanços e hoje carreiras do delegadas, promotoras, juízas o mundo feminino está dizendo para o que veio com louvor. Nesse aspecto as perspectivas são de avançar muito mais e devemos fazer um senão que é verdadeiro e muito simples. Ainda mantém o sexo masculino o estigma de provedor, se é que poderemos chamar estigma, porque só ai já detectamos o preconceito entre os sexos.

Com a função de provedor tem o homem de partir para o trabalho muito cedo, enquanto a mulher se permite continuar os estudos, o que a vem tornando mais preparada nas diversas áreas, inclusive, jurídica. Em contrapartida a mulher que até o século XIX ainda era submetida por seus à leitura de livros que seus pais escolhiam, a um casamento sem amor e outras limitações, como não votar etc. Hoje enfrenta a culpa pelas suas conquistas.

Se é solteira as coisas vão mais fáceis, se é casada e mãe de filhos adota a sobre jornada, da profissão,da família e da mulher. Mais detalhadamente o homem,principalmente, no Brasil ainda não está formado para a divisão de tarefas, por uma educação milenar, levando a mulher à opressão física,psicológica e econômica, sendo palco muitas vezes de tragédias onde  centenas de mulheres pagam com a própria vida.Se for mãe fica muitas vezes dividida entre a educação dos filhos, uma vez que muitas tem consciência de que não se terceiriza a educação.

O fato é que assistimos que a terceirização da educação tem levado a resultados catastróficos nas diversas classes sociais e que o problema não é só econômico, mas presencial.Não estamos criticando,muito pelo contrário estamos detectando fatos de um novo tempo.Os avós partiram para os movimentos da Terceira Idade,muito justo, e as auxiliares do lar a cada dia mais exíguas,pelo fatos dos programas sociais de Bolsa Família,Vale Gás e outros, assim o estudo tão raro para as classes de baixa renda hoje chega de uma maneira mais acessível para as classes carentes.

Portanto, quando fala-se em perspectivas diríamos que a mulher jamais será aquela peça coadjuvante, porque já avançou muito como profissional em todos os segmentos, inclusive de profissional liberal, mas ainda muitas transformações terão que acontecer para as perspectivas serem melhores.
 

CNPL: Dentro do Sindicalismo a Senhora acredita que houve avanços à presença feminina?
 
Dra. Sandra Ventura: Eu diria que observando num  quadro geral que houve avanços sim e muitos, mas longe do ideal. Se considerarmos que o sindicalismo é uma política de conquistas trabalhistas, a mulher brasileira ainda está muito distante da igualdade dos gêneros. Assim como está distante da estatística de políticas públicas, perdendo em números até para o Paraguai. Nas primeiras décadas do século XX, o grande movimento foi o direito a votar, afirma Berta Lutz, e com isso o grande avanço da mulher. Em Nova York as mulheres que trabalhavam na indústria textil, sobretudo as judias e italianas e  recebiam 40% do salário dos homens o que gerou o movimento que ficou  conhecido como a libertação das mulheres e falaremos disso mais adiante e com ele as mulheres começaram a pensar nos seus direitos enquanto operárias. Sabe-se que em 1960 o sindicalismo americano era dominado por judeus da  Rússia e da Polônia.

Na verdade buscavam direitos iguais para tarefas diferentes e com isso as mulheres iam à luta na hora de conseguir igualdade de direitos, sobretudo na gratificação pelo trabalho, mas ao final ficavam com salários bem menores em relação à mão de obra masculina. Nesse ano a sociedade percebeu que não poderia viver com metade da população feminina excluída e assim começaram as greves. Foram criadas entidades como a das mulheres profissionais liberais Women`s Trade Union League, seguida da União Geral dos Trabalhadores Judeus da Rússia e da Polônia, Associação dos Trabalhadores Hebreus, Sindicato Nacional dos Trabalhadores na confecção de roupas de senhoras e assim sucessivamente.

As mulheres começam a pressionar por direitos laborais iguais e Lenin afirma que a luta é das massas e não do direito das mulheres e temas como igualdade de direitos trabalhista, sexual, aborto, divórcio só voltam a ser discutidos 40 anos depois. Voltam a ser discutidos o direito à maternidade, creches, amamentação, salários etc.

Hoje muitos avanços aconteceram até com a conquista da licença maternidade, mas muitos embates precisam ser vencidos. Uma mulher negra ganha 50,6% menos que uma mulher branca e um homem negro ganha 46,4% que um homem branco.

A paz só será garantida através da igualdade dos direitos e deveres, qualquer que seja a religião, a origem étnica,a classe social, a idade ou a condição de gêneros. Assim poderemos dizer que construímos a Democracia.
 
CNPL: Sabe-se que não basta as mulheres estarem presentes em determinadas profissão. É preciso que elas tenham voz ativa.Na sua opinião tem acontecido no âmbito das suas profissões profissões?
 
Dra. Sandra Ventura: Sim e de maneira muito profissional. A mulher, através da sua estrutura psicológica, é voltada a detalhes, o seu jeito maternal facilita uma abordagem em situações difíceis, é dedicada quando se propõe a fazer algo sério, enfim no que diz respeito às responsabilidades a mulher tem demonstrado a sua capacidade profissional acima de qualquer dúvida. Para lograr êxito terá que sempre primar pelo conhecimento exaustivo da matéria, sempre atualizando-se sobre o que se propõe a fazer, primar pelos trajes sóbrios, maquiagem discreta e uma postura eqüidistante dos arroubos da compulsividade. Assim será respeitada, querida e, sobretudo, será ouvida com solenidade tanto pelos parceiros, chefes ou que o valha, masculinos como femininos. A postura será sempre a sua grande arma nos degraus que pretende atingir.
 
CNPL: Fale sobre o Dia Internacional da Mulher. Sua visão sobre as profissionais liberais nessa data comemorativa.
 
Dra. Sandra Ventura: O Dia Internacional da Mulher instituído pela ONU a 8 de março surgiu como resposta à greve das operárias americanas em Nova Yorque que realizaram uma greve na indústria têxtil em que trabalhavam, às 16h10min, quando 103 delas foram queimadas acirrando ainda mais a luta de gêneros, o que provocou a criação da Women`s  Trade Union League, primeira entidade de mulheres profissionais liberais  de que se tem notícias. Foi um avanço inquestionável sim, mas não a solução para todos os problemas oriundos do preconceito, sobretudo quando a justificativa para se isolar a mulher é o argumento do “sexo frágil”. Na verdade preconceito significa ideia pré-concebida e essa idéia correspondem a um preconceito milenar, colocando a mulher numa luta terrível para superar essas desigualdades.
Com as conquistas femininas a mulher branca profissional liberal sai na frente, em contrapartida da mulher negra, que encontra preconceitos mais fortes e ostensivos, ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho não é muito generoso com as mais jovens negando-lhe a entrada no mercado e tornando a luta ainda mais desigual. Mas o processo de transformação é irreversível, a luta por demais difícil, mas é uma luta não só da sociedade como um todo, mas genuinamente feminina. A mulher terá que sempre manter uma estratégia inteligente e a tão famosa inteligência emocional para se fazer presente em todos os segmentos que concorram para a construção de um mundo melhor, consolidando a democracia e a cidadania.


Depoimento de Anna Telma Wainstok, relações públicas, presidente da Federação Nacional dos Profissionais de Relações Públicas, presidente do Sindicato dos Profissionais de Relações Públicas do Rio de Janeiro e diretora-adjunta da CNPL

CNPL: Como a senhora se vê enquanto mulher profissional liberal?


Dra. Anna Telma: Estamos há mais de 25 anos na área da comunicação como Relações Públicas, nossa participação sempre foi bem reconhecida em grandes, médias e pequenas empresas de nosso país, onde exercemos o nosso mister.

CNPL: Quais as perspectivas dentro da sua profissão sob o ângulo feminino?

Dra. Anna Telma: Nossa participação há mais de 20 anos como representante sindical e como RR. PP. (fiz o processo de enquadramento sindical dos RR.PP., fundei o primeiro sindicato, fundei a Federação.  É importante ressaltar que o grande mérito foi da CNPL que, quando do conhecimento da CLT de sua existência, a CNPL  tomou a si as informações necessárias para a consecução de nosso processo sindical. A participação da mulher nos diversos segmentos, social, político e jurídico de nosso país, está cada vez mais sendo conquistada por mulheres. Senão vejamos: as mulheres estão assumindo o controle das grandes fortunas nos paises desenvolvidos e outros países as mulheres vêem dedicando-se com afinco aos estudos nas mais diversas cadeiras das Universidades no Brasil em outros países. Com o poder econômico e com o conhecimento, afirmo ser este um dado dos mais positivos da mulher na sociedade contemporânea.

CNPL: E dentro do sindicalismo, a senhora acredita que houve avanços em relação à presença feminina?


Dra. Anna Telma: Em algumas áreas, onde a mulher enquanto sindicalista é exigida, não há a menor dúvida de sua participação com um avanço bem acentuado. Vejamos: psicólogas, nutricionistas, engenheiras (nas várias áreas), enfermeiras, musicistas etc. Há 14 anos nas bancadas do poder legislativo, municipal, estadual e federal o número de mulheres estava em média 6,32% nas câmaras; 6,71% no senado, com mulheres. Hoje como é de conhecimento, Presido: Federação Nac.Prof. de RP e PP; Sinprorp/RJ;ABRP/RJ, e ainda na Diretoria de nossa consagrada CNPL, CLAPU, CSP onde  me sinto  privilegiada como sindicalista  convicta.

CNPL: Sabe-se que não basta apenas às mulheres estarem presentes em determinada profissão. É preciso que elas tenham voz ativa, que representem, que trabalhem de fato. Na sua opinião, isso tem acontecido no âmbito das profissionais de relações públicas?

Dra. Anna Telma: Os relações públicas têm como mister o esforço deliberado, planejado e contínuo para o entendimento dos segmentos da sociedade, sejam eles econômicos, sociais ou religiosos, devendo manter aceso eternamente o cadinho de nossas instituições como abrigo do aprimoramento social, cultural do Ser Humano. Não há dúvida que na atual conjuntura a mulher tem sido o grande pilar no entendimento das Classes e dos segmentos da sociedade brasileira.

CNPL: Por favor, fale sobre o Dia Internacional da Mulher: sua visão sobre as profissionais liberais nessa data comemorativa.
 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

FENAPRORP  -  Mulher

As Instituições são como a árvore, não fala, ela é a vida, nos dá solidez de suas raízes, nos dá frutos, nos dá o adubo, a reprodução e finalmente, a sombra do amor e da realização.

O Dia Internacional da Mulher: façamos um alerta para a mídia, em qualquer forma que seja, deve inspirar-se no critério ético de respeito pela verdade e pela dignidade da mulher.

Cito algumas das heroínas brasileiras:
Nize da Silveira, a primeira mulher negra, médica que dedicou sua vida ao ser humano com deficiência mental, com um hospital digno para o tratamento deles. (estado de nascimento Alagoas).
Raquel de Queiroz, a primeira mulher na Academia Brasileira de Letras (estado de nascimento: Ceará).
Cora Coralina, escritora e poetisa (estado:  Goiás).
Ana Nery, primeira enfermeira brasileira.
Berhta Lutz fez o primeiro projeto na conquista dos direitos civis da mulher.
Dra. Zilda Arns, educadora e irmã Tereza de Calcutá, também educadora. Duas mulheres que deixaram  um grande exemplo de assistência  social.
Renée Grosman, fundadora do primeiro museu Escola/Universidade no país.
Inúmeras mulheres, nos vários segmentos de nosso país GIGANTE deixaram para sempre uma linda história vida, competência, dignidade, ética e sobretudo de AMOR  ao próximo  em suas várias  atividades profissionais.

À nossa CNPL, O MEU  ETERNO  ABRAÇO  FRATERNO.

Depoimento de Dilamar Rudolf Sartor, médica veterinária e secretária-geral do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina

CNPL: Como a senhora se vê enquanto mulher profissional liberal?

Dra. Dilamar: Sinto-me uma profissional realizada e, acredito, bem-sucedida.
Considero-me uma mulher persistente nos meus objetivos, como tantas outras da minha geração, que venceram muitos preconceitos, com muita coragem e ética.

Penso, também, que fui privilegiada por ter tido a chance de frequentar uma universidade. As dificuldades da época eram muitas: o mercado de trabalho era majoritariamente masculino na Medicina Veterinária (anos de 1970), mas eu sempre soube aproveitar as oportunidades para mostrar o meu potencial. Jamais disse “não consigo” pois, para nós, mulheres, isso seria um atestado de fraqueza. Ainda bem que isso mudou. O comprometimento com o meu trabalho e gostar da profissão que  exerço fez toda a diferença em minha carreira.

CNPL: Quais as perspectivas dentro da sua profissão sob o ângulo feminino?

Dra. Dilamar: As perspectivas são promissoras.Vejo com muita satisfação e orgulho essa conquista. Estamos atendendo todas as expectativas do mercado de trabalho. As mulheres médicas veterinárias estão trabalhando muito, estudando muito, qualificando-se e exercendo funções importantes, com muita capacidade profissional.

E o mais importante, e sem generalizar, acredito que a mulher é mais comprometida com a ética, sabe trabalhar em equipe e não é tão focada no poder quanto os homens, o que a credencia para exercer bem o seu papel dentro da sociedade, na saúde pública. Enfim, a mulher é mais detalhista. Esses atributos a fazem exercer bem seu papel em todas as áreas da Medicina Veterinária.

CNPL: E dentro do sindicalismo, a senhora acredita que houve avanços em relação à presença feminina?

Dra. Dilamar: No sindicalismo, acredito que avançamos pouco.Estamos desinteressadas. Precisamos nos unir aos nossos colegas dirigentes e defender nossos anseios, nossas necessidades. Nós temos essa abertura junto ao sindicato; foi-nos dada essa oportunidade. É uma questão de motivação e não podemos nos acomodar.

Temos um  potencial para exercer bem esse papel também - há colegas capazes e bem articuladas.

CNPL: Sabe-se que não basta apenas as mulheres estarem presentes em determinada profissão, é preciso que elas tenham voz ativa, que representem, que trabalhem de fato. Na sua opinião, isso tem aconteceido no âmbito das profissionais de medicina veterinária?
 
Dra. Dilamar: Realmente não basta só estar presente, temos que mostrar nosso trabalho com competência, ética, comprometimento. E isso nós sabemos fazer muito bem, o que nos credencia para termos voz ativa em todos os setores da sociedade e, também, no envolvimento dos assuntos da categoria da Medicina Veterinária. Portanto as profissionais da Medicina Veterinária, especialmente as catarinenses, representam quase 40% dos profissionais inscritos no CRMV-SC -CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA. Está acontecendo sim. Temos voz ativa nos diversos setores, temos médicas veterinárias exercendo funções importantes em Santa Catarina.

Na minha opinião, o que podemos e devemos melhorar é a nossa representatividade nas políticas de classe e, também, partidária. Aí simm teremos mais voz ativa. Mas temos que reconhecer que já tivemos conquistas expressivas neste quesito, nos últimos seis anos aqui no Estado.

CNPL: Por favor fale sobre o Dia Internacional da Mulher: sua visão sobre as profissionais liberais nessa data comemorativa.

Dra. Dilamar: O Dia Internacional da Mulher, pra mim, é um momento de reflexão e um reconhecimento às nossas antecessoras. É uma volta ao passado, de uma história bem presente daquelas que enfrentaram preconceitos, quebraram barreiras,lutaram para nos proporcionar certa igualdade nas relações humanas. Quase sempre precisamos fazer uma retrospectiva do passado para valorizarmos mais o presente.

Também tenho uma visão de que nós, mulheres profissionais liberais, temos um compromisso maior perante à sociedade, de fazer um mundo melhor, formar cidadãos íntegros, usando nosso saber e conhecimento como agente de mudanças no nosso campo de ação. Quanto mais amplo ele for, mais fácil será alcançar esses objetivos.

Podemos dizer, ainda, que devemos estar mais envolvidas com os órgão da nossa categoria profissional, no nosso trabalho, na comunidade em que atuamos, para podermos opinar, contribuir para formarmos lideranças femininas expressivas e conquistarmos os nossos espaços em todos os setores, inclusive na politica. Podemos e devemos nos envolver mais na politica, quem sabe teriamos mais êxito nos propósitos? Quem sabe consigamos mudar algumas atitudes já tão costumeiras, que por aí vemos e ouvimos? E, por último, dizer que temos um papel muito importante a cumprir não só por sermos PROFISSIONAIS LIBERAIS, MAS POR SERMOS SIMPLESMENTE MULHERES. PARABÉNS A TODAS NÓS.

Márcia Maria Costa Dias da Cunha – administradora de empresas, servidora pública: Analista Técnica do Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia. No momento Assessora da Diretoria Administrativa e Financeira do Gabinete do Governador.
Participação no SINDAEB: Conselho Fiscal

CNPL: Como a senhora se vê enquanto mulher profissional liberal?

Dra. Márcia Maria: Realizada e comprometida com a responsabilidade social de ser mulher e em estar inserida no mercado de trabalho como profissional liberal. Um caminho longo e percorrido com muito estudo para ser respeitada e reconhecida na carreira de administradora e na função pública, setor em que atuo.

CNPL: Quais as perspectivas dentro da sua profissão sob o ângulo feminino?

Dra. Márcia Maria: As perspectivas são promissoras, pois conforme dados do Conselho Federal de Administração as mulheres mesmo de forma lenta têm avançado em quantidade numérica nesse mercado, ou seja, o numero de mulheres administradoras tem crescido, porém ainda representam minoria nos altos cargos.

CNPL: E dentro do sindicalismo, a senhora acredita que houve avanços em relação à presença feminina?

Dra. Márcia Maria: Sim. Com a inserção da mulher no mercado formal de trabalho e o desenvolvimento da atividade sindical, as mulheres passaram a ter participação ativa, ocupando espaços que em outras épocas eram exclusivamente masculinos. A emancipação política contribuiu também para esse avanço. Não podemos esquecer que essa é uma conquista recente. No Brasil a mulher conquistou o direito de participar das eleições como eleitoras e candidatas em 1930.

CNPL: Sabe-se que não basta apenas as mulheres estarem presentes em determinada profissão, é preciso que elas tenham voz ativa, que representem, que trabalhem de fato. Na sua opinião, isso tem acontecido no âmbito das profissionais de administração?

Resposta: De forma ainda incipiente. As mulheres assumem mais os cargos intermediários das organizações do que os de alta direção.

CNPL: Por favor fale sobre o Dia Internacional da Mulher, sua visão sobre as profissionais liberais nessa data comemorativa.

Dra. Márcia Maria: Entendo que o Dia Internacional da Mulher, não seja apenas uma data comemorativa e sim uma oportunidade de debate do papel da mulher na sociedade, como esforço de diminuir os preconceitos e a desvalorização da mulher.

Não podemos perder de vista que além do papel como profissional liberal, a mulher exerce o papel de organizadora das atividades inerentes ao lar e de educadora dos filhos. Essa é a nossa realidade, com exceções é claro.

As profissionais liberais, como outras trabalhadoras, mesmo tendo conquistado muito no campo do trabalho, ainda tem uma árdua jornada, devendo lutar contra os baixos salários, a igualdade de salários com os profissionais masculinos, a jornada excessiva de trabalho e a violência praticada contra ela, seja em casa ou no local de trabalho através do assedio moral e sexual.

Depoimento de Cristiane Gomes Evangelista, farmacêutica-bioquímica, acadêmica do curso de direito, diretora tesoureira-geral do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado do Maranhão, vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde de São Luís-MA, funcionária da Prefeitura Municipal de São Luís e empregada de uma empresa privada

CNPL: Como a senhora se vê enquanto mulher profissional liberal?

Dra. Cristiane Gomes: Independente e determinada. Sempre me busca de algo mais, ou seja, insaciável.
CNPL: Quais as perspectivas dentro da sua profissão sob o ângulo feminino?

Dra. Cristiane Gomes: Ser Farmacêutica é estar pronta para enfrentar os desafios da profissão e da vida, é superar os obstáculos e ser feliz. Ao analisar com o olhar feminino o passado, aprendo o quanto é importante ter um presente comprometido com os princípios da profissão, da ética e da moral, para que se possa ter a esperança no futuro saneado e melhor de se viver.

CNPL: E dentro do sindicalismo, a senhora acredita que houve avanços em relação à presença feminina?
Dra. Cristiane Gomes: A presença feminina é muito positiva no Sindicalismo, visto que as mulheres apresentam qualidades natas essenciais e outras aprimoradas para realizar as negociações sindicais, tais como a diplomacia, a determinação, o conhecimento técnico e compromisso com os ideais sindicais e profissionais, e sem falar é claro, do poder de encantamento e persuasão de nossos dotes femininos no mundo masculino fechado.

CNPL: Sabe-se que não basta apenas as mulheres estarem presentes em determinada profissão, é preciso que elas tenham voz ativa, que representem, que trabalhem de fato. Na sua opinião, isso tem acontecido no âmbito das profissionais de farmácia?

Dra. Cristiane Gomes: Atualmente, em diversos segmentos, as mulheres têm atuado e são reconhecidas ao ocuparem cargos importantes. Destacando a área da Farmácia é cada vez maior o número de Farmacêuticas que estão liderando empresas de vários portes econômicos, ou mesmo, sendo gestoras de equipes multi-profissionais, órgãos, entidades e instituições públicas e privadas.
CNPL: Por favor fale sobre o Dia Internacional da Mulher: sua visão sobre as profissionais liberais nessa data comemorativa.

Dra. Cristiane Gomes: Parabenizo a todas as mulheres por este dia tão especial a todos, por representar um dia de luta das mulheres por direitos paritários com os homens. Espero, especialmente, que todas as mulheres profissionais liberais possam analisar suas histórias profissionais e de vida para que possam concluir se os resultados obtidos são satisfatórios, ou se precisam melhorar, e lutar sempre por um presente digno.
 
Depoimento de Maria Clara Cavalcante Bugarim – contabilista, vice-presidente do Conselho Federal de Contabilidade

CNPL: Como a senhora se vê enquanto mulher profissional liberal?

Dra. Maria Clara: Vivemos um momento positivo. Apesar dos obstáculos, muitos dos quais já foram vencidos por nossas antecessoras, me considero realizada profissionalmente.

CNPL: Quais as perspectivas dentro da sua profissão sob o ângulo feminino?


Dra. Maria Clara: a presença feminina no mercado de trabalho tem aumentado muito, especialmente em função do aumento de mulheres que se formam nas faculdades de contabilidade a cada ano.

CNPL: E dentro do sindicalismo, a senhora acredita que houve avanços em relação à presença feminina?

Dra. Maria Clara: o espaço no mercado de trabalho e na área sindical para as mulheres é uma questão de oportunidade – a partir do momento que nos dão oportunidade nos lançamos e cumprimos bem nossas tarefas.

CNPL: Por favor, fale sobre o Dia Internacional da Mulher: sua visão sobre as profissionais liberais nessa data comemorativa.

Dra. Maria Clara: em relação ao Dia Internacional da Mulher temos muito o que comemorar – avançamos, alcançamos espaços. Mas não podemos ignorar as desigualdades no mercado da profissional de contabilidade. Além disso, temos um caminho longo a ser trilhado, e a abertura iniciada no contexto da Revolução Industrial, por mulheres insatisfeitas com as condições de trabalho, significou que já conquistamos muita coisa, mas ainda faltam várias. Talvez não com o radicalismo delas, mas também com muito esforço, Somos competentes e vamos avançar muito mais.

Depoimentos de:
Elza Kunze Bastos, arquiteta e presidente do Sindicato dos Arquitetos do Distrito Federal e Sammya Cury, arquiteta, presidente do Sindicato dos Arquitetos do Amazonas

CNPL: Como a senhora se vê enquanto mulher profissional liberal?

Dras. Elza Kunze e Sammyra: Enquanto profissional liberal não vemos qualquer diferença entres os gêneros, pois um bom profissional qualificado e atuante não tem qualquer discriminação por sem mulher ou homem e quanto a ser um profissional liberal, quanto a participação técnica é a mesma, ocorrendo em alguns casos redução de salários para as mulheres.

CNPL: Quais as perspectivas dentro da sua profissão sob o ângulo feminino?

Dras. Elza Kunze e Sammyra: Na área de Arquitetura e Urbanismo este setor tem tido um grande acréscimo de mulheres, onde algumas turmas atuais de formandos das faculdades estão em torno de 75% de elementos femininos. Informando que há  42 anos quando me formei  pela a UNB o número de mulheres foram apenas duas.  Aqui no DF 73% dos filiados são mulheres e no amazonas cerca de 72%.
CNPL: E dentro do sindicalismo, a senhora acredita que houve avanços em relação à presença feminina?

Dras. Elza Kunze e Sammyra: Quanto à atuação na área sindical ainda é bastante reduzida, pois a participação feminina demanda disponibilidade de tempo e engajamento de militância profissional e as mulheres teriam que estar atuando em uma terceira frente de atividades além das duas já existentes; a de mãe/dona de casa e a de profissional. Informo ainda que no DF apesar do sindicato ter 30 anos somente nesses últimos 3 anos teve uma mulher como presidente.

CNPL: Por favor, fale sobre o Dia Internacional da Mulher: sua visão sobre as profissionais liberais nessa data comemorativa.

Dras. Elza Kunze e Sammyra: O dia Internacional da Mulher é de fato um dia de comemoração, mais de comemoração das lutas obtidas, lembrando que foi criado em função da lutas de algumas mulheres pelo o direito da obtenção de creche para seus filhos, e esta luta e outras ainda continuam; pois na Alemanha a licença a maternidade é de 2 anos em outros países e algumas empresas não são respeitados, nem esta e nem outros direitos adquiridos, além da violência física, moral e de assédio sexual contra as mulheres perduram.
 

Depoimento de Jane Picanço de Farias - corretora de imóveis, advogada
e presidente do Sindicato de Corretores de Imóveis do Amazonas 

CNPL: Como a senhora se vê enquanto mulher profissional liberal?

Dra. Jane Picanço: Sou profissional liberal há mais ou menos 20 anos. O profissional liberal é aquele que trabalha muito, mas consegue administrar seu tempo. “Não consigo trabalhar com horário regular”.

CNPL: Quais as perspectivas dentro da sua profissão sob o ângulo feminino?

Dra. Jane Picanço: Não vejo essa diferença de gênero, não vejo um lugar onde a mulher não possa atuar. Para mim é uma honra estar à frente de uma entidade de uma categoria forte como os corretores de imóveis. Senti um preconceito ao assumir o sindicato (há um ano) porque ele foi fundado há sete anos por maioria masculina. Hoje a metade de nossa diretoria é composta por mulheres. Elas não estão “tomando o lugar” dos homens, mas sim ocupando lugares para os quais são competentes.

CNPL: E dentro do sindicalismo, a senhora acredita que houve avanços em relação à presença feminina?

Dra. Jane Picanço: Acredito que já foi pior. Hoje as mulheres estão mais presentes na diretorias de sindicatos, mas não apenas por serem mulheres, e sim, sobretudo, porque são competentes.

CNPL: Sabe-se que não basta apenas às mulheres estarem presentes em determinada profissão, é preciso que elas tenham voz ativa, que representem, que trabalhem de fato. Na sua opinião, isso tem acontecido no âmbito das profissionais corretoras de imóveis e advogadas?

Dra. Jane Picanço: Sem dúvida que sim. Mostramos que nos destacamos porque estudamos, porque trabalhamos duro e mostramos que somos capazes.


CNPL: Por favor fale sobre o Dia Internacional da Mulher: sua visão sobre as profissionais liberais nessa data comemorativa.

Dra. Jane Picanço: Acordo cedo e saio de casa cedo para trabalhar. O trabalho de casa tem que ser feito por nós, porque os homens definitivamente não conseguem fazê-lo. Então temos que administrar a vida do marido, da família, da casa, do trabalho, enfim. Mas tenho necessidade de estar sempre ocupada.

Ao longo dos anos, nós mulheres conquistamos muitas coisas: direito ao voto, de expor nossos pensamentos, a lei Maria da Penha.


Depoimento de Lérida Maria dos Santos Vieira – farmacêutica-bioquímica e secretária-geral do Conselho Federal de Farmácia

CNPL: Como a senhora se vê enquanto mulher profissional liberal?

Dra. Lérida Vieira: Vejo-me como um fruto da revolução feminista que transformou as relações na sociedade, no mercado de trabalho e na família. Atualmente, a inserção da mulher no mercado é aceita de forma natural. Ou quase, pois ainda existem preconceitos intoleráveis dentro do próprio mercado, na política e na família. Ainda assim, as mulheres, do alto de sua extrema sensibilidade, vão levando as suas conquistas à frente e expandindo os horizontes.

De sorte que, após anos de lutas e conquistas para exercer um papel mais amplo na sociedade, a partir do seu lugar, do seu ser feminino na vida relacional, seja de trabalho ou pessoal, temos marcado novas posições. Mas há arestas a serem rompidas para que conquistemos a total igualdade.

Vale salientar que, de qualquer forma, não há maiores empecilhos para que as mulheres exerçam o papel de profissional farmacêutica. Quaisquer que sejam as atividades que abracem, na profissão, ela é, sempre, detalhista, sensível, curiosa, responsável.
 
CNPL: Quais as perspectivas dentro da sua profissão sob o ângulo feminino?

Dra. Lérida Vieira: A cada dia aumenta o número de mulheres que se interessam em fazer farmácia e atuar em uma das 74 atividades que, hoje, compõem a profissão. A luta tem sido por salários equivalentes, mas a tendência é de que isso seja alcançado. Afora este aspecto, as perspectivas são positivas, de maior presença e valorização da mulher no setor, em cargos de chefia ou não.

A mulher já está em maior número em grande parte dos cursos de farmácia (e, também, em outros cursos da área da saúde) e já não é diferente em várias atividades profissionais. A mulher tem uma visão muito acurada do que faz. É de sua natureza. Isso faz uma diferença incrível.

Se você buscar, nos municípios, responsáveis técnicos pelas farmácias comunitárias e públicas, os gestores da saúde; se for às indústrias de medicamentos, de cosméticos, de alimentos (tanto na pesquisa, quanto na produção e no controle de qualidade), lá estarão as mulheres ocupando os seus postos.

Em outras áreas, como a genética (no armazenamento de células-tronco colhidas de cordão umbilical, com fins terapêuticos), no tratamento de peles cadavéricas com o mesmo fim, no magistério, nas análises clínicas e toxicológicas, bem como na citopatologia, as mulheres estão atuando em grande quantidade – se não me engano, elas já são maioria -, contribuindo com a sua parte para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.
 
CNPL: E dentro do sindicalismo, a senhora acredita que houve avanços em relação à presença feminina?
 
Dra. Lérida Vieira: De uns 20 anos para cá, houve uma alteração na liderança sindical, com a ascensão das mulheres nessas agremiações. As mulheres estão ocupando as diretorias de praticamente todos os sindicatos farmacêuticos brasileiros, como presidente ou ocupando outros cargos na diretoria. Isso significa, portanto, um avanço. A categoria tem confiança nas mulheres porque, com a sua bravura e sensibilidade, elas sabem lidar com os enfrentamentos com mais serenidade, sem, entretanto, perder o foco da luta.
 
 
CNPL: Sabe-se que não basta apenas às mulheres estarem presentes em determinada profissão. É preciso que elas tenham voz ativa, que representem, que trabalhem de fato. Na sua opinião, isso tem acontecido no âmbito das profissionais farmacêuticas?

Dra. Lérida Vieira: Com certeza. As mulheres estão no batente, no dia-a-dia dos fazeres farmacêuticos, como já disse numa resposta anterior. São muitas as proprietárias ou responsáveis técnicas de farmácias e drogarias, laboratórios de análises clínicas, de laboratórios de controle de qualidade, de farmácias hospitalares etc.

Obviamente, há empresas cujo comando tem fundamentação e orientação machista, o que não permite a ascensão das mulheres farmacêuticas a postos-chaves. Mas é necessário que busquem ser ouvidas, porque as suas experiências não podem ser desperdiçadas. Pior para as empresas que agem dessa forma.
 
CNPL: Por favor, fale sobre o Dia Internacional da Mulher: sua visão sobre as profissionais liberais nessa data comemorativa.

Dra. Lérida Vieira – É um dia de comemoração para todas as mulheres, quer sejam crianças, adolescentes, adultas, idosas; estudantes, a donas-de-casa, a profissionais liberais, e todas as que buscam ser si mesmas: completas e realizadas em suas vidas. Ser profissional liberal é sentir-se livre para buscar completar-se por um caminho escolhido dentro de si. E nós, farmacêuticas, estamos andando exatamente neste caminho.

 

 

 

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