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De 26 de fevereiro a 03 de março de 2008 – Ano III – Edição 126

 

Capa

Equilíbrio entre a vida profissional e pessoal garantem sucesso

 Dr. Marcelo Dratcu
A incansável busca pelo sucesso e alcance de resultados perfeitos é um fator estressor para qualquer profissional. Em meio a tantas informações, cobranças e pressões vindo de todos os lados, a saúde e a qualidade de vida normalmente ficam em segundo plano. E o que pouca gente sabe é que tanto a produtividade quanto a ascensão profissional estão totalmente ligados ao bem-estar físico e mental do indivíduo. Para discorrer sobre o tema, o médico Marcelo Dratcu, lançou o livro Por que não me disseram isso antes?!, onde trata o assunto em muitos aspectos, de uma análise do homem moderno em relação ao seu próprio rendimento profissional e pessoal. Dando continuidade no assunto, a reportagem do Informativo CNPL entrevistou Dratcu, que falou sobre o assunto e proporcionou dicas de como associar o trabalho com a saúde. 

Na sua visão, quais são os distúrbios mais recorrentes nos dias de hoje?

Sem dúvida nenhuma, o estresse crônico e a Síndrome de Burnout. É o desgaste físico e emocional relacionado diretamente ao trabalho, que é cursado com desinteresse, desânimo, ansiedade, sintomas depressivos e, muitas vezes, de perseguição. Também as DORT, doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho, principalmente as dores nas costas.

E quais os principais motivos desses distúrbios?

No caso do estresse crônico e da Síndrome de Burnout, os fatores estressores costumam estar relacionados a problemas organizacionais, como ambigüidade ou conflitos entre gestores, pressões por prazos e metas, ambiente de trabalho ruim, sensação de falta de autonomia, longas jornadas, acúmulo de tarefas e falta de treinamento. Mas a forma como o indivíduo lida com os problemas, se comunica e relaciona também influenciam muito. Já as DORTs são causadas por esforços, inclusive os repetitivos, como carregar peso ou digitar muito, mas problemas emocionais podem contribuir, facilitando a instalação das lesões e dores.

Como os profissionais podem associar trabalho e qualidade de vida?

Com o bom senso! É sabido que a produtividade no trabalho está diretamente ligada à saúde física e mental, que por sua vez depende de uma boa qualidade de vida. Atividade física, boa alimentação, lazer e sono adequado são compatíveis com trabalho árduo, e fundamentais para o bom rendimento. Ninguém consegue cortar muitas árvores sem parar para afiar o machado! Saber se comunicar bem, manter bons relacionamentos e buscar apoio social e familiar são também muito importantes.

Como os profissionais podem saber até onde é possível manter o ritmo de trabalho e a saúde?

Existe uma falsa percepção de que a produtividade está ligada às horas de trabalho. Isto não é necessariamente verdade. Os profissionais com melhor desempenho são aqueles que lidam melhor com o estresse e as pressões, normalmente pessoas que param para descansar, relaxar e “desligar” nos momentos apropriados. Para os trabalhadores compulsivos, conhecidos como workaholics, que não relaxam e não descansam, e não param de trabalhar nem para comer, a falta de limites pode precipitar ou agravar problemas de saúde física e psíquica. Deve haver um equilíbrio entre vida profissional e pessoal, como ocorre com os chamados worklovers, que amam o que fazem e trabalham duro, mas têm um estilo de vida saudável e prazeroso.

Com a correria do dia-a-dia como equilibrar e ter tempo para a família, o trabalho, o  lazer?

Há tempo para tudo, por incrível que pareça. É uma questão de priorizar, estabelecer limites e se organizar. O ser humano tem o hábito de deixar tudo para a última hora, mas com um pouco de planejamento, o trabalho rende e a vida pessoal pode ser melhor aproveitada. Se isso não ocorrer, pode ser um sinal de que o indivíduo não está trabalhando na área ou atividade mais apropriada.

Quem dita o ritmo de trabalho, o profissional ou a empresa?

A empresa tem seus compromissos e metas, portanto deve cobrar dos colaboradores. Mas são os profissionais que devem se organizar para atingir os resultados almejados nos prazos estipulados. O ideal é que haja uma interação entre ambos.

Em geral, o ser humano procura orientação médica quando percebe que está doente?

Essa situação demora a acontecer em grande parte dos casos, principalmente em se tratando de adoecimento psíquico. Na maioria dos casos de estresse crônico, burnout ou transtornos de depressão e ansiedade, a pessoa não se percebe doente ou não dá “o braço a torcer”, dificultando o diagnóstico e tratamento, comprometendo sua produtividade e da sua equipe, podendo proporcionar prejuízos incalculáveis para a corporação. No caso de doenças físicas, como dores nas costas, tendinites, enxaqueca e gastrite, muitos evitam procurar tratamento com medo de serem afastados, mas seu desempenho piora muito. Isto é chamado de presenteísmo, presença no trabalho, com pobres resultados. Além disto, as pessoas deveriam procurar orientação médica preventiva, para não adoecer, e não ao contrário!